A Bicicleta de Papel traz Luccas Papp e Leonardo Miggiorin em ode à amizade

Por Miguel Arcanjo Prado

O ator e dramaturgo Luccas Papp começa 2021 com projeto novo, no palco, perto do público. Nada diferente do ritmo frenético de trabalho que realizou no complicado 2020, no qual protagonizou suas peças O Ovo de Ouro, O Canto de Ninguém, O Estranho Atrás da Porta e A Ponte, estas duas últimas apresentada em formato digital.

Agora, o artista está de volta ao palco ao lado de Leonardo Miggiorin, em A Bicicleta de Papel, que estreia em 10 de janeiro no Teatro das Artes do Shopping Eldorado, em São Paulo. A temporada será sempre aos domingos, 19h, até 28 de fevereiro, com ingressos entre R$ 25 e R$ 60 pela Sympla.

Sob direção de Ricardo Grasson e produção da LPB Produções e Nosso Cultural, a obra aborda assuntos delicados, como a perda, a esperança e a superação. Tudo tendo como pano de fundo o encontro entre dois amigos, Ian e Noah, no Réveillon do ano 2000.

“Escrevi há dois anos, nem imaginava que o mundo iria virar de ponta cabeça. É uma história sobre traumas, mas acima de tudo é sobre a capacidade de se perdoar”, adianta Papp.

Para o diretor, a temática da peça tem tudo a ver com a atualidade. “É importante tocar nessas questões devido aos momentos que estamos vivendo com a pandemia. A peça é contra essa política de cancelamento do mundo, reforça que podemos reescrever a nossa própria história e viver o novo”, pontua Grasson.

Miggiorin conta que colocou na sua playlist músicas dos anos 1980 por conta da predileção de seu personagem. Ele lembra que a solidão retratada na peça combina com o atual distanciamento social. “O isolamento está muito além da pandemia, muitos de nós já estávamos isolados do mundo antes mesmo dessa quarentena. Perdemos tempo com bobagens, não entendemos ainda o valor da presença. Este espetáculo fala sobre estar presente enquanto ainda temos tempo. Enquanto ainda estamos aqui”, reforça.

Papp relembra que as relações de afeto costumam permear sua dramaturgia. “Gosto muito de retratar relações familiares e afetivas, além das perdas, tanto no sentido da morte ou de um status. Nossas vidas se baseiam muito dentro deste conjunto e na quebra deles. Trafegar por estes caminhos é algo que me instiga retratar”, avisa.

Esta não é a primeira vez que Papp encontra Miggiorin em cena, já que os dois contracenaram em O Ovo de Ouro. A nova obra ainda traz participações especiais de Elias Andreato, Ando Camargo, Rita Batata e Lívia Marques. A peça ainda tem figurino de Cássio Scapin, luz de Gabriele Souza, trilha de Catarina Kobayashi e produção executiva e assistência de direção de Heitor Garcia.

Fotos: João Sampaio e Davi Gomes/Divulgação para blogdoarcanjo.com

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Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Bob Sousa.

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