Morre Erika Riedel, jornalista e crítica de teatro, aos 54 anos

Por Miguel Arcanjo Prado

Morreu, neste sábado (26), a jornalista e crítica teatral Erika Riedel, aos 54 anos, após lutar bravamente contra o câncer. Ela era membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). A notícia foi confirmada pelo site da SP Escola de Teatro, onde ela foi diretora de Comunicação e Ideias entre 2009 e 2013.

A jornalista de longos cabelos loiros que adorava a efervescência dos bastidores do teatro estava à frente da Riedel Comunicação. Ela ainda atuou como repórter do Caderno 2 e do Divirta-se, cadernos culturais do jornal O Estado de S. Paulo, onde começou cobrindo Economia. Ela foi membro das comissões do ProAC, o programa de incentivo à Cultura no Estado de São Paulo.

“Lamentamos profundamente o falecimento de nossa associada, a jornalista, autora e crítica teatral Erika Riedel, aos 54 anos de idade. Erika estava nos quadros da APCA desde 2005. Nossos sinceros sentimentos aos familiares e amigos”, declarou a APCA em nota oficial.

Erika Riedel no Festival de Teatro de Curitiba em 2008 – Foto: Miguel Arcanjo Prado – blogdoarcanjo.com

Também dramaturga, Erika Riedel escreveu peças como Folheto, Os Sapatos Azuis da Poodle Branca e Quase sem Querer, obras encenadas no Festival Satyrianas entre 2007 e 2010. Como escritora, foi a responsável pela biografia do dramaturgo Emilio Di Biasi, O Tempo e a Vida de um Aprendiz, publicada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Este jornalista e diretor do Blog do Arcanjo conviveu proximamente com Erika, seja nas votações da APCA e na cobertura do Festival de Teatro de Curitiba, onde ela costumava maratonar até cinco espetáculos por dia. A primeira vez que este jornalista frequentou o Festival Satyrianas, na praça Roosevelt, foi a convite de Erika, que teria leitura encenada de um texto e queria ouvir a opinião sincera dos colegas a respeito. Ela ainda manteve por alguns anos o blog Terceiro Sinal, focado em críticas teatrais. Infelizmente, o blog foi deletado pelo provedor UOL sem aviso prévio.

Erika era muito querida pelos colegas de profissão, sobretudo por suas opiniões verdadeiras sobre os espetáculos que assistia. Ela ainda atuou como assessora de espetáculos na Morente Forte Comunicações, a convite das sócias Célia Forte e Selma Morente. Também a convite do autor deste blog, ela foi jurada do Prêmio Contigo de Teatro em 2008.

A jornalista e crítica Erika Riedel em foto do seu perfil no Twitter

Quando da estreia deste Blog do Arcanjo, em 1º de março de 2012, Erika Riedel foi fez a seguinte generosa declaração: “Foi com grande alegria que recebi a notícia desse novo espaço dedicado à cultura. E é com mais alegria ainda que vejo à frente dele Miguel Arcanjo Prado, um profissional que conheci justamente na cobertura de um grande evento de cultura, o Festival de Curitiba. Penso que uma boa cobertura jornalística é feita com paixão e sem preconceitos e, se é mesmo assim, o nome de Miguel Arcanjo faz jus à empreitada. Sucesso na nova jornada!”.

Erika Riedel era uma jornalista inteligente e aguçada, que se interessava não só pelos palcos, mas também pelo que acontecia detrás deles, tornando-se mais do que uma relatora, foi uma agente do processo teatral paulista e brasileiro. Ela se tornou figura respeitada pelo seu trabalho de jogar luz a espetáculos em cartaz. E ainda foi marco da representatividade da mulher dentro da comissão de Teatro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), ao lado da crítica pioneira Carmelinda Guimarães.

Mulher pioneira na APCA, Erika Riedel ao lado dos colegas críticos na entrega do Prêmio APCA em março de 2014 no Teatro Paulo Autran: da esquerda para a direita, Miguel Arcanjo Prado, Vinicio Angelici, Edgar Olímpio, José Cetra, Erika Riedel e Evaristo Martins de Azevedo – Foto: Eduardo Enomoto – blogdoarcanjo.com

A morte de Erika provoca luto no teatro e na cultura. “Uma mulher competente e brilhante em tudo que fazia”, define a assessora de imprensa Beth Gallo, da Morente Forte. A dramaturga, produtora e assessora teatral Célia Forte pontua sobre a amiga: “Sua bondade, inteligência, amizade e altas conversas me fazem e farão muita falta. Nos divertíamos muito com tudo e tentando descobrir qual das duas era a mais geniosa. Isso eu não sei, a mais guerreira , sem dúvida alguma, era ela. Descanse em paz. Encontre sua mãe e joguem muito bingo, sem se preocupar com mais nada. Te amo mais que demais, pra sempre”. “Ela amava teatro, amava os cães e era uma jornalista das mais éticas que conheci. Sua integridade vai fazer muita falta aos amigos e ao teatro”, diz o ator Marcelo Medici. “Ficam as histórias, as risadas o afeto. Sua força fica como inspiração”, comenta a assessora teatral Eliane Verbena.

“Muita luz para ela, mulher iluminada que se foi”, fala a diretora e crítica Gabriela Mellão. “Uma pena, era ótima pessoa”, declara Aguinaldo Cunha, ex-presidente da APCA. Também colega de Erika na APCA, a crítica Kyra Piscitelli afirma: “Erika Riedel era uma apaixonada pelo teatro, foi uma escolhida por uma arte em que a vocação, quando fala mais alto, é o único caminho. Ela era respeitada por suas opiniões e na APCA fazia falta. Já afastada para o tratamento, perdemos uma mulher guerreira, espectadora apaixonada, que conquistou seu espaço em um mundo ainda dominado por homens. Ela se fez ouvir, tinha convicções inspiradoras e deixa sua marca na história”.

O ator Ivam Cabral, cofundador da Cia. de Teatro Os Satyros e diretor executivo da SP Escola de Teatro, afirmou ao site da instituição: “Erika Riedel foi uma das parceiras fundamentais na construção da SP Escola de Teatro. Antes disso, no começo dos anos 2000, foi uma das primeiras jornalistas da grande imprensa que notou e noticiou o movimento da Praça Roosevelt, percebendo uma mudança de perspectivas dos palcos paulistanos. Amante do teatro, espectadora incansável, profissional absolutamente dedicada à historiografia teatral de nossa época, grande amiga. 2020 termina, tristemente, com mais uma perda irreparável”.

Em 2016, já diagnosticada com câncer, Erika Riedel afirmou nas redes sociais: “Decidi que se é pra tocar a vida, vou tocar em grande estilo”. Assim fez até o fim. Que descanse em paz.

Erika Riedel com amigos do teatro em jantar na casa de J.C. Serroni em 2009: Guilherme Bonfanti, Erika Riedel, Marici Salomão, Raul Barreto, Regina, José Simões, Serroni, Helio Levestein, Hugo Possolo, Tatiana Passarelli, Sergio Salvia Coelho, Raul Teiceira, Cléo de Páris e Ivam Cabral – Foto: Arquivo Ivam Cabral/terrasdecabra.com.br – blogdoarcanjo.com
Erika Riedel na infância, quando participou do concurso da criança mais bonita do teatro, realizado pelo Blog do Arcanjo – Foto: Arquivo Pessoal – blogdoarcanjo.com
Biografia de Emilio Di Biasi escrita por Eirka Riedel para a Coleção Aplauso da Imprensa Oficial
Erika Riedel ganha beijo do ator Gustavo Ferreira em 2012 – Foto: Arquivo pessoal – blogdoarcanjo.com
Erika Riedel entre os diretores Fernando Neves e Daniel Mazzarolo no Prêmio APCA em 2014 – Foto: Eduardo Enomoto – blogdoarcanjo.com

Lembre as mortes em 2020 na Cultura

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Bob Sousa.

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