Pureza do menino pobre inspira Mateus Ribeiro em Chaves, um Tributo Musical

Simplicidade e puro talento: Mateus Ribeiro é Chaves em “Chaves, Um Tributo Musical” – Foto: Rafael Beck/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

O teatro brasileiro vai ganhar uma legião de fãs da televisão a partir desta sexta (23). É quando estreia no Teatro Opus, em São Paulo, “Chaves, Um Tributo Musical”. Com ares de superprodução, o espetáculo reproduz no palco a clássica série mexicana criada por Roberto Bolaños e exibida há mais de três décadas no Brasil pelo SBT, conquistando distintas gerações de telespectadores que agora viram espectadores teatrais. E um dos trunfos da encenação sob direção de Zé Henrique de Paula e texto e direção musical de Fernanda Maia é seu protagonista: o jovem ator Mateus Ribeiro.

Artista nascido em Florianópolis, criado em Fortaleza e com passagem por Brasília antes de aportar no eixo São Paulo-Rio de musicais, ele carrega em sua trajetória a mistura do carisma brasileiro e também uma genuína simplicidade que o faz se aproximar deste importante protagonista para o qual foi escalado. Aliás, Chaves é seu segundo papel de tamanho gigante, já que o ator defendeu recentemente Peter Pan na produção licenciada da Broadway, na qual conquistou o respeito não só da crítica especializada como também do grande público.

Na reta final de ensaios, em clima de ebulição um dia antes da coletiva na qual apresentará números do musical pela primeira vez à imprensa, o Blog do Arcanjo entrevistou com exclusividade o artista. A primeira questão é: em que Chaves se aproxima de Mateus. O moço pensa e responde.

“Chaves tem mais coisas diferentes de mim do que parecidas. Uma forma de falar diferente, uma forma de se mexer, de gesticular. Ele é um personagem que está sempre lidando com a simplicidade, seja no gestual ou até mesmo na forma de ver o mundo. E isso é algo que tento manter em mim”, explica, antes de tomar fôlego para continuar.

“Temos coisas em comum também. Pra mim tem sido inclusive muito interessante descobrir um outro tipo de humor, tão usado pelo Bolaños em seus personagens. Assim como o Chaves, eu também não gosto muito que me vejam chorando ou triste, assim como o Chaves costumo ficar mais na minha quando estou assim”, confessa.

Mateus Ribeiro posa com os colegas de elenco de “Chaves, Um Tributo Musical”, que estreia nesta sexta (23) no Teatro Opus do shopping Villa-Lobos, em São Paulo – Foto: Rafael Beck/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

O mundo fantástico que o menino pobre Chaves cria ao seu redor é outra referência para Mateus Ribeiro: “Acredito que temos uma imaginação muito fértil também, me considero um sonhador. Na minha infância, eu também construía muitos brinquedos pra mim, e inventava muitas histórias”.

E não deixa de ver pontos em comum entre sua trajetória e a do menino que mora dentro de um barril. “O Chaves passou por muitas coisas na vida e vem de um lugar simples. Nos assemelhamos aí também, mas com histórias bem diferentes”.

E é esse menino simples que Mateus busca manter, mesmo vivenciado o frenesi dos bastidores de uma carreira artística na maior metrópole do Brasil. “Eu me vejo como uma pessoa muito tranquila, apesar da minha carreira poder levar a gente pra um caminho de ilusões. Tento sempre manter a minha essência de criança, de quando eu era um garoto que morava no Nordeste e não sabia sequer que era possível viver da arte”, afirma. “Chaves é personificação de pureza, muito da graça dele está aí também, e é esse lugar que o mundo vai tentando tirar da gente, mas que eu me esforço pra sempre manter viva”, avisa.

Trajetória potente nos palcos: Mateus Ribeiro com Claudia Raia nos bastidores do clássico “Cabaret”, o ator como Linus em “Meu Amigo Charlie Brown” e como protagonista de “Peter Pan, Um Musical da Broadway” – Fotos: Divulgação/Arquivo pessoal – Blog do @miguel.arcanjo UOL

E o caminho que Mateus construiu para si no teatro brasileiro tem a ver com subir um degrau de cada vez, sendo cada conquista fruto de seu talento inquestionável. “Bom, não sei se pra mim existe essa trilha certa, por que ela varia muito pra cada artista. Mas sem dúvida me vejo como na direção certa para o caminho que eu quero trilhar. Eu amo atuar e fico feliz de poder cada vez mais poder mostrar o meu trabalho”, diz.

Estimulado por este colunista a traçar conexões entre Peter Pan e Chaves, ele mais uma vez pensa. E responde. “Acredito que esses dois papéis-títulos nessas grandes produções sem dúvida são a colheita das várias sementes que fui plantando e semeando durante minha vida artística que começou lá em Fortaleza, passou por Brasília até chegar no Rio e em São Paulo”.

E lembra que quer continuar sendo desafiado a criar os personagens mais improváveis e verdadeiros do mundo. “Espero continuar tendo oportunidades que me tirem da zona de conforto, que me façam crescer como artista e mostrar mais da minha arte para o público. Acredito que nosso trabalho está muito pautado em construir aos poucos um caminho e se preparar ao máximo pra quando a oportunidade chegar você agarrar!”, finaliza.

Chaves, Um Tributo Musical
Teatro Opus (av. das Nações Unidas, 4777, Alto de Pinheiros, São Paulo, SP). Sexta, 21h, sábado, 16h e 20h, domingo, 15h e 19h. R$ 37,50 a R$ 140. 120 min. Livre. Até 15/9/2019.

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