“Falar sobre ditadura chilena é falar sobre o Brasil”, diz diretor de Villa

O ditador chileno Augusto Pinochet (1915-2006): campo de tortura do regime totalitário no país vizinho é tema da peça “Villa”, com duas temporadas em São Paulo – Foto: Reprodução/Divulgação

“Falar sobre a ditadura chilena é falar também sobre o Brasil”, diz o diretor Diego Moschkovich em entrevista exclusiva ao Blog do Arcanjo sobre a peça “Villa”. Com a temática do regime de exceção no país vizinho, a obra ganha duas temporadas em São Paulo a partir deste fim de semana. O elenco da montagem paulistana é formado pelo trio de atrizes Flávia Strongolli, Rita Pisano e Angela Ribeiro.

A peça escrita pelo premiado dramaturgo chileno Guilhermo Calderón, 48 anos, apresenta três mulheres em uma mesa de discussão. Juntas, ela avaliam o que deve ser feito com a Villa Grimaldi, campo de tortura e extermínio do ditador chileno de extrema direita Augusto Pinochet (1915-2006).

Versão original do espetáculo chileno Villa foi apresentada em Belo Horizonte em 2012, quando causou impacto no público do FIT-BH – Foto: Valentino Zaldivar/Divulgação – Arquivo – Blog do @miguel.arcanjo

A obra foi encenada com impacto no Brasil em 2012, no FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco e Rua de Belo Horizonte), quando foi vista por este colunista e crítico, que na época fez entrevista exclusiva com seu autor. Nesta conversa, há sete anos, Calderón afirmou: “Ferida da ditadura na América Latina ainda é forte”.

Angela Ribeiro, Flávia Strongolli e Rita Pisano estão na versão brasileira do espetáculo chileno “Villa”, que fala da ditadura de Pinochet – Foto: Leekyung Kim/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

“Há muito tempo se sabe que os processos de interrupção forçada da ordem democrática que aconteceram nos países da América Latina entre os anos 1960 e 1970 foram parte de um mesmo processo, que internacionalmente se inscreve na dinâmica da Guerra Fria”, lembra o diretor.

“Nesse sentido, olhando em detalhe para a ditadura chilena, vemos que ela não apenas se inspirou, mas utilizou-se largamente do know-how de perseguição e silenciamento das forças democráticas desenvolvido no Brasil”, complementa.

Moschkovich lembra que a obra dialoga com nosso país hoje. “No Brasil atualmente há setores que tentam fazer especulação com a verdade histórica e que, de forma desastrada e baixa começam a questionar o período das ditaduras militares no continente”, fala.

Diego Moschkovich, diretor da versão brasileira da peça chilena Villa, de Guillhermo Calderón: “Falar sobre memória é preciso, é urgente, pois depois do apagamento da narrativa vêm, necessariamente, as violações dos direitos humanos” – Foto: Leekyung Kim/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

“O presidente do Brasil, em visita ao Chile, saudou a memória de Augusto Pinochet, algo que causou indignação até na própria direita chilena, comprometida com o processo democrático”, lembra. 

“Falar sobre a memória é preciso, é urgente, pois depois do apagamento da narrativa vêm, necessariamente, as violações dos direitos humanos. E isso não podemos permitir que ocorra de novo no Brasil”, fala.

“Veja: já temos mais uma vez uma lista que a cada dia se expande de presos políticos. Estão presos em que condições? ‘Villa’, para mim é uma peça necessária para evitar o próxima passo de uma possível catástrofe”, conclui Moschkovich.

Com 60 minutos de duração e classificação livre, “Villa” aporta no Espaço 28 (r. Dr. Bacelar, 1219, Vila Clementino) entre 17 de agosto e 8 de setembro, sábado 21h, e domingo, 20h. Depois, vai para o Teatro Arthur Azevedo (av. Paes de Barros, 955, Mooca), onde pode ser vista de 13 de setembro a 6 de outubro, sexta e sábado, 21h, domingo, 19h. Em ambas temporadas os ingressos custam R$ 15 a meia e R$ 30 a inteira.

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