É covardia rir de Fábio Assunção com música e máscara de Carnaval

O ator Fábio Assunção no camarim da peça “Dogville” no Teatro Porto Seguro, onde profissionalmente cumpre temporada mesmo diante da turbulência pública que virou sua vida e do escárnio covarde com sua doença, a dependência química – Foto: Jonatas Marques – Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

Quem já andou perto de algum bloco de Carnaval deve ter visto a tal máscara que traz o rosto do ator Fábio Assunção. Quem tiver sido ainda mais infeliz pode ter ouvido trecho da música que leva seu nome, cantada por um grupo que sequer merece ser mencionado. Afinal, tanto usar a máscara quanto cantar a canção são atos de covardia.

Fábio Assunção sofre de uma doença que se chama dependência química. Doença esta que afeta por volta de 30 milhões de brasileiros que sofrem cotidianamente com algum parente nessa situação. Se já é difícil vivê-la no privado, imagine de forma pública. Quem já experimentou de perto a dor sabe que a situação requer atitudes de amor, não de deboche. Vamos recordar um velho dito popular: “faça com os outros o que gostaria que fizessem com você”.

Não custa lembrar que Fábio Assunção foi publicamente generoso com o episódio da canção que zomba de seu nome, fazendo acordo com os compositores para doar o dinheiro arrecadado para entidades que recuperam quem sofre deste mal. Ele poderia ter processado os autores por danos morais, no que estaria em seu pleno direito, mas, teve uma atitude nobre, ao contrário de quem faz pilhéria com sua situação.

Fábio Assunção é um grande ator. Que conseguiu superar o posto de jovem galã e provar talento em personagens difíceis e complexos na maturidade. Tanto que no ano passado foi eleito Melhor Ator de Televisão pelo Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) por seu excelente desempenho na série da Globo “Onde Nascem os Fortes”.

Força parece ser mesmo o sobrenome desse ator, que tropeça, mas se levanta e mantém a duras penas sua dignidade e profissionalismo, mesmo diante da forte turbulência na esfera privada que se tornou pública.

Mesmo diante de tudo que está acontecendo com ele, o ator não deixa de cumprir seu dever profissional. Está todos os fins de semana no palco do Teatro Porto Seguro, em São Paulo, na peça “Dogville”, na qual faz atuação digna de forte aplauso, dando vida a um homem mau e sem escrúpulos que abusa da protagonista forasteira interpretada por Mel Lisboa. No espetáculo, mostra que “pessoas de bem” podem ser repulsivas.

O personagem de Fábio Assunção na peça “Dogville” é tão malvado e covarde quanto as pessoas que debocham dele na vida real. Usar a máscara de Fábio Assunção ou cantar a música que leva seu nome não tem graça. É pura covardia.

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