Ao dizer ter namorado, Hugo Bonemer merece aplauso de pé

Hugo Bonemer é Ayrton Senna em musical no Teatro Sérgio Cardoso – Foto: Caio Gallucci/Divulgação

Causou rebuliço a entrevista que o ator Hugo Bonemer, protagonista de “Ayrton Senna, O Musical”, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, deu ao “TV Fama” na Rede TV!. Na matéria, o jovem, que é primo do jornalista William Bonner, falou abertamente sobre namorar um rapaz. “Foi um ato muito simples”, definiu ele ao repórter Gilvan Marques, do UOL.

Mais do que a “revelação” da sexualidade de Bonemer, coisa que ele não esconde de seus colegas de trabalho ou do mercado teatral onde atua (nem teria por quê), o que chama a atenção na tal entrevista é o fato de o repórter pressupor que o ator tivesse uma namorada, como se a heterossexualidade fosse uma norma intransponível no mundo artístico.

Por que nunca se soube de ator hétero que precisasse “assumir” sua sexualidade publicamente, o que mostra o lugar de preconceito social que gays e lésbicas estão. O uso do verbo “assumir” já é por si só horrível, como se fosse uma confissão de alguma “culpa”.

A tal pergunta do repórter, “quem é ela?”, já evidencia o sistema opressor que obriga a atores homossexuais muitas vezes a fingir uma heterossexualidade, em resposta a uma indústria cruel que utiliza seus talentos, mas que não os permite ser quem são diante das câmeras. Casais fakes no mundo das celebridades estão aí para comprovar.

Ao falar abertamente sobre sua sexualidade, Hugo Bonemer presta um serviço à sociedade brasileira. Sobretudo à comunidade LGBT, tão fundamental no mundo artístico, mas que sofre duras pressões para não se “assumir” publicamente. Isso ainda é forte para atores de televisão, como é o caso dele, que já atuou em produções como “Malhação”, “Alto Astral” e “A Lei do Amor” na Globo. Atualmente, ainda protagoniza também “Yank, O Musical”, no Rio.

Hugo Bonemer em cena de “Ayrton Senna, O Musical” – Foto: Caio Gallucci/Divulgação

Tal jogo de hipocrisia é sustentado por muitos (inclusive poderosos da TV) e há muito tempo no Brasil. Mas, pelo jeito, não dá mais para este tipo de farsa persistir, num mundo em que a privacidade é artigo cada vez mais raro e que a verdade é exigida de todos.

Hoje, as pessoas, ainda bem, podem ser o que são, não tornando-se meros joguetes da pressão social que só traz infelicidade e frustração.

Ainda bem que gente de coragem como Hugo Bonemer ajuda a mudar este cenário de hipocrisia, provando que as pessoas podem simplesmente ser. E que seus talentos jamais podem ser colocados em xeque por conta de sua sexualidade, assim como por etnia ou gênero.

Ao falar sem neuras de seu namorado, Hugo Bonemer presta um grande serviço ao Brasil e à toda classe artística. Aplausos de pé.

Hugo Bonemer – Foto: Edson Lopes Jr./Divulgação

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