Febre amarela não matará a música de Flávio Henrique

O compositor Flávio Henrique, que morreu aos 49 anos vítima da febre amarela – Foto: Frank Bitencourt/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Havia acabado de chegar em São Paulo, vindo de Tiradentes, onde acompanhei a 21ª Mostra de Cinema da cidade histórica mineira, quando resolvi ouvir pela internet a Rádio Inconfidência de BH.

Assim que sintonizei, escutei a voz do compositor Flávio Henrique, que dirigia a mesma rádio e a Empresa Mineira de Comunicação, responsável também pela Rede Minas de Televisão.

Ouvir sua voz, soando tão doce, foi um choque. Para quem não sabe, Flávio morreu no último dia 18, vítima da estúpida febre amarela, essa doença tão antiga que, infelizmente, o descaso com sua prevenção fez com que retornasse, ceifando vidas tão importantes.

Uma delas foi a do músico Flávio Henrique, que morreu com apenas 49 anos, no auge de uma carreira respeitada no campo artístico e da comunicação pública. Mas, voltemos ao programa da Inconfidência no qual ouvi sua voz ressuscitada.

Na verdade, a emissora reprisava um programa especial antigo, no qual Flávio revelava as músicas que mais marcaram sua vida.

Entre elas, justo no momento em que ouvia, recordava “Casa Aberta”, que fez ao lado de Chico Amaral. Música esta tão emblemática no começo de minha juventude, quando a ouvia nos shows de Mauricio Tizumba e Marina Machado e reconhecia nela uma espécie de transe sintetizador das matizes da música mineira.

Flávio lembrou de quando Milton Nascimento cantou “Casa Aberta” na lendária casa de shows carioca Canecão, enchendo seu coração de orgulho e alegria, fazendo com que tremesse na base.

Depois de revelar essa história, ele tocou a gravação da música do álbum Pietá, na qual Milton divide os vocais com a então cantora mineira iniciante Marina Machado, cuja carreira foi alavancada por essa canção e gravação ao lado de um dos maiores cantores do mundo e de Minas Gerais.

Apesar de termos amigos em comum, infelizmente não cheguei a conhecer pessoalmente Flávio Henrique. Mas, posso dizer que sua morte me comoveu. E muito.

Ao ponto de ali, ouvindo sua voz e sua canção, recém chegado de Minas, chorar sua morte como a de um amigo querido. Flávio Henrique foi um gigante de nossa música, que está ser eternizado por suas canções. E uma coisa é certa: a febre amarela não matará a música de Flávio Henrique, por meio da qual sempre viverá em nós.

Ps. Compartilho aqui também a satisfação ao saber que o comunicador Elias Santos, até então diretor artístico da Rádio Inconfidência, foi nomeado pelo secretário de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo, para ocupar a presidência da Empresa Mineira de Comunicação, posto deixado vago com a morte de Flávio Henrique. Melhor escolha não há. Elias, sensível e competente que é, saberá levar à frente o legado que Flávio deixou na criação de uma comunicação pública em Minas mais democrática e inclusiva.

Conheça a música “Casa Aberta”, de Flávio Henrique e Chico Amaral, gravada por Milton Nascimento e Marina Machado.

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