Ninguém pediu desculpa, diz ator negro espancado após racismo

O ator Diogo Cintra, que volta aos palcos após ser espancado vítima do racismo em terminal de ônibus de São Paulo – Foto: Reprodução

Por Miguel Arcanjo Prado

Vítima do racismo institucional na última semana, que provocou seu espancamento, o ator Diogo Cintra, 24 anos, só quer retomar sua vida.

Ele volta na noite desta terça (21), aos palcos de São Paulo, na peça “O Inferno do Velho Buk”, às 21h, no Karaokê Augusta.

Em entrevista exclusiva ao Blog do Arcanjo do UOL, Diogo Cintra conta como está sua vida após a violência sofrida e a forte repercussão do caso, denunciado aqui no blog no dia 16 e que foi noticiado até no “Jornal Nacional” no último dia 18.

Ele demonstra estar bastante ferido e traumatizado com o que ocorreu.

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O artista comenta o afastamento dos funcionários que, por ele ser negro, deduziram de forma racista que ele seria o bandido e o entregaram para ser espancado por criminosos brancos que o perseguiam no Terminal Parque Dom Pedro 2º, no centro paulistano, no último dia 15, segundo seu depoimento.

O ator ainda fala como reagiu à divulgação das imagens de câmeras de segurança, que comprovam seu relato, no último fim de semana. E revela ainda que, até o momento, não recebeu qualquer tipo de contato ou pedido de desculpas de ninguém da Prefeitura de São Paulo ou da SPTrans, responsáveis pelo terminal na região central paulistana, onde tudo ocorreu. A Polícia Civil investiga o caso.

Leia a entrevista exclusiva.

Miguel Arcanjo Prado – Você fará a peça ‘O Inferno do Velho Buk’ nesta terça? Como será voltar ao palco?
Diogo Cintra – Sim, será um alivio poder voltar a trabalhar e esquecer um pouco essa história, atuar me fortalece!

Miguel Arcanjo Prado – Você viu as imagens que foram divulgadas da sua agressão? O que sentiu?
Diogo Cintra – Estou em choque até agora, não consigo ver mais e sempre que entro na internet ou vejo as notícias saio na hora.

Diogo Cintra: à esquerda, logo após ser agredido, ainda machucado; à dir., posando para seu book – Fotos: Reprodução

Miguel Arcanjo Prado – O que achou da decisão da SPTrans em afastar os funcionários que recusaram lhe ajudar?
Diogo Cintra – Uma iniciativa sensata, mas está longe de ser a que eles merecem.

Miguel Arcanjo Prado – Você já tinha sido vítima de racismo antes deste triste episódio?
Diogo Cintra – Sim, mas nunca desse modo.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi a reação das pessoas com você após o ocorrido?
Diogo Cintra – Muito solidárias, muitas palavras de carinho e força, apesar de ter alguns que se ofenderam com o que eu postei.

Detalhes dos ferimentos pelo corpo do ator Diogo Cintra, vítima de espancamento após seguranças acharem que ele era bandido e o entregarem para ser espancado por criminosos, no Terminal Parque Dom Pedro 2º, em São Paulo, no último dia 15 – Foto: Reprodução

Miguel Arcanjo Prado – Alguém da Prefeitura de São Paulo ou da SPTrans falou com você? O que disse? Houve pedido de desculpas?
Diogo Cintra – Não, ninguém até agora.

Miguel Arcanjo Prado – Como é sair às ruas depois do que aconteceu com você?
Diogo Cintra – Ainda com muito trauma, com muito medo, por eles ainda estarem soltos.

Miguel Arcanjo Prado – Denunciar o ocorrido foi importante? Por quê?
Diogo Cintra – Sim, pois isso faz com que outras pessoas possam se manifestar sobre o que elas sofrem.

Miguel Arcanjo Prado – Nesta semana da Consciência Negra o que você deseja ao Brasil?
Diogo Cintra – Que a consciência não seja negra, e sim humana, porque um dia só de consciência não nos representa, é o ano inteiro, e acima de tudo que tenham respeito com todos!

O ator Diogo Cintra – Foto: Reprodução

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