Ricardo Pereira vive militar em crise em Cartas da Guerra

Ricardo Pereira em cena do filme “Cartas da Guerra”, que chega aos cinemas – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Português de sucesso na TV brasileiras, o ator Ricardo Pereira está no filme “Cartas da Guerra”, do cineasta português Ivo M. Ferreira, que chega aos cinemas nesta quinta (13) com distribuição da Imovision.

O longa em preto e branco tem como pano de fundo a Guerra Colonial Portuguesa em 1971, quando o escritor Antonio Lobos Antunes (“Memoria de Elefante”, 1979 – vencedor do Prêmio Camões) escreveu relatos do cotidiano violento e declarações de amor em cartas enviadas para a sua mulher.

“Cartas da Guerra” relata a história de um médico aspirante a escritor que foi enviado para um dos locais mais violentos da batalha, no leste de Angola.

Interpretado pelo ator Miguel Nunes, Antonio é incorporado no exército e afastado de Maria José (Margarida Vila-Nova), sua amada. Ele mata as saudades através de longas cartas.

No filme, Pereira, que se destacou na minissérie “Liberdade Liberdade”, na qual protagonizou a primeira cena de sexo homossexual da TV aberta ao lado de Caio Blat, dá vida ao Major, que também sente no corpo as agruras da guerra, na qual não mais acredita.

Pereira, que atualmente faz a novela “Novo Mundo” na Globo, conversou com exclusividade com o Blog do Arcanjo do UOL. Leia a entrevista.

O ator Ricardo Pereira – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Você acha que ainda é difícil para os portugueses falarem da colonização? Por quê?
Ricardo Pereira — Eu acho que fica difícil para todo mundo explicar coisas que são difíceis de explicar. Não só para portugueses é difícil falar da colonização, mas para angolanos, moçambicanos, também é difícil. Todos têm experiências para relatar, e isso é muito bom. Essa troca de culturas é extraordinária, desde que não seja na força. Eu tive familiares que moraram em África, que combateram na guerra. Eu tenho família na África. Há histórias de amor que existem. É complicado falar de uma coisa lá atrás, muita gente travou uma luta que não queria travar, nem de um lado nem de outro.

Miguel Arcanjo Prado – Quais as melhores lembranças que você tem das filmagens de “Cartas da Guerra”? 
Ricardo Pereira — As filmagens foram em Angola e no interior de Portugal, onde reconstruímos Angola. Não cheguei a filmar em Angola, mas os colegas que foram falaram que foi ótimo o clima. Essa fisicalidade é importante na construção do filme, a distância dos grandes centros ajudou a construir o filme, essa coisa do desconfortável, de estar em constante tensão. Os cenários longínquos trouxeram essa concentração para a equipe.

Miguel Arcanjo Prado – Quais foram suas inspirações para compor o personagem Major? Na sua opinião qual é o maior conflito que ele vive?
Ricardo Pereira —Tive grandes conversas com o Ivo Ferreira, o diretor. O Major retrata uma pessoa que existiu, que foi próxima ao Antonio Lobos Antunes. O Ivo sabia muito bem como esse major existia no mundo real. Era um cara de físico muito intenso, com uma presença viva, que estava na guerra sem querer estar, achando que algo não tinha sentido. Ele começou a pensar na possibilidade de retorno à casa, à sua vidinha, ao seu dia a dia. A saudade, o desespero e o cansaço fizeram ele só ver essa solução como a melhor do mundo para a vida dele. A grande questão é que ele queria sair daquela guerra de qualquer forma. Creio que consegui mostrar essa impaciência, esse desespero de sair dessa guerra que estava lutando sem acreditar. Pesquisei muitos ex-combatentes e fiz uma pesquisa grande da figura da vida real.

O ator Ricardo Pereira – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – O filme tem uma bela fotografia em preto e branco. É o seu primeiro filme PB? O que achou de estar em um filme assim e dessa proposta do diretor?
Ricardo Pereira — É meu primeiro filme inteiro em PB. É uma proposta muito interessante, porque te coloca num lugar particular. Eu falei para o diretor de fotografia no Festival de Berlim que o filme poderia ter cor também, mas o preto e branco te remete a outro lugar, outro tempo. Para mim, é muito especial fazer parte dessa obra tão marcante, esse retrato apaixonado por pessoas que vamos deixando para trás, que a vida e a guerra exigem, e o retrato social duro e cru durante o período da Guerra Colonial.

Miguel Arcanjo Prado – Você é um ator versátil, que consegue estar tanto em comédias cinematográficas brasileiras como neste filme mais artístico. Você busca esse ecletismo em sua carreira? Por quê?
Ricardo Pereira —Procuro o ecletismo na minha carreira. A versatilidade é fundamental na carreira do ator. Viajar por papeis diferentes te dá uma solidez como artista. Quero viajar em registros diferentes, fazer coisas diferentes de mim, que me instiguem. Já tive em comédias românticas, comédias comédias, em filmes inspirados em fatos reais. Quero mostrar personagens díspares, que me possibilitem o exercício constante da minha profissão.

Personagens de Caio Blat e Ricardo Pereira fezem amor em “Liberdade, Liberdade” – Foto: Reprodução

Miguel Arcanjo Prado – Você gostou de entrar pra história da TV no Brasil fazendo a primeira cena de sexo entre homens em uma produção de teledramaturgia em “Liberdade Liberdade”? Foi importante? Já tem novos projetos em cinema, teatro e TV que possa adiantar? Quais?
Ricardo Pereira — Tolentino de “Liberdade Liberdade” foi um personagem marcante, um vilão intenso, humano, com essa cena marcante [de sexo homossexual], porque foi a primeira vez que aconteceu no Brasil, que foi especial para mim, o Caio Blat, o diretor Vinícius Coimbra, para o autor Mário Teixeira e toda equipe. Obviamente isso marcou a gente. E a história dessa relação entre Brasil e Portugal foi muito importante também de contar. Foi um privilégio para mim. O personagem foi um divisor de águas, as pessoas me viram fazendo algo diferente do que estavam acostumadas a me ver na TV. Agora, estou terminando a novela “Novo Mundo”, depois farei um filme e mais um trabalho na TV, que ainda não posso dizer quais são. Em setembro, outubro estreio “Mulheres”, uma comédia romântica sofisticadíssima com a Paolla Oliveira. Acabei também agora uma peça muito bacana no Teatro Poeira, “Hollywood”, do David Mamet. Estou trabalhando muito e bem feliz com isso.

O ator Ricardo Pereira – Foto: Divulgação

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