Diretor de antimusical diz que faz alerta contra picaretas

O diretor e dramaturgo Dan Rosseto, do antimusical “Enquanto as Crianças Dormem”, em cartaz no Teatro Aliança Francesa: “Quantos de nós ‘artistas’ não fomos enganados?”, questiona – Foto: Edson Lopes Jr.

Por Miguel Arcanjo Prado

O dramaturgo e diretor Dan Rosseto resolveu falar sobre seu denso espetáculo “Enquanto as Crianças Dormem”, em cartaz no Teatro Aliança Francesa, em São Paulo, e definido por ele como “um antimusical tragicômico”.

“Escuto de amigos que vão ver a minha peça: ‘Você está destruindo o sonho das pessoas’. Sim, estou!”, avisa Rosseto.

Ele explica o porquê: “Talvez porque, como a Kelly [a protagonista da peça, vivida por Carol Hubner], eu também tenha passado por situações adversas para continuar na jornada do ser artista”, fala o artista que já dirigiu musicais de sucesso como “O Primo Basílio”, “Lisbela e o Prisioneiro” e “Hoje É Dia de Maria”..

Na obra, Kelly trabalha em um fast food, no qual sofre na pele do inescrupuloso gerente, papel de Juan Manuel Tellategui, enquanto sonha em migrar “para a América” para se tornar uma artista da Broadway.

Enquanto o sonho não chega, ela idolatra em seu quarto o ídolo dos musicais Fred Silveira – que na vida real é o responsável pela trilha sonora original de “Enquanto as Crianças Dormem”.

Kelly (Carol Hubner) dança sapateado observada pelo namorado, papel de Haroldo Miklos, em “Enquanto as Crianças Dormem” – Foto: Leekyung Kim

“Claro que na peça eu potencializo a história a um nível máximo que beira o absurdo. Mas, quantos de nós ‘artistas’ não fomos enganados por agências picaretas onde profissionais escrotos nos fazem comprar books a preços astronômicos? Ou nos obrigam a fazer vídeos com promessas de trabalhos na Rede Globo”, lembra Rosseto.

O dramaturgo e diretor conta que “alguns oferecem cursos de péssima qualidade em troca da inocência de muitos sonhadores”.

“E sem contar na galera que se aventura em curso de musicais na esperança de ser a próxima estrela do enlatado importado da Broadway. Num contexto subjetivo é disso que trata a minha peça”, explica.

Segundo o diretor, as pessoas precisam despertar do mundo de fantasia. “Acordem! Não caiam na lábia de sedutores baratos como a Ellen [papel de Carolina Stofella, que seduz Kelly com a promessa de fazer sua entrada nos EUA virar realidade, mas a um preço caro]”.

“Enquanto as Crianças Dormem”: “O caminho mais fácil vai te custar caro anos depois”, avisa Dan Rosseto – Foto: Leekyung Kim

Rosseto encerra o papo com o alerta: “O caminho mais curto e mais fácil vai te custar caro anos depois. Batalhe, estude, leia, vá ao teatro, veja exposições, bons filmes e boas pessoas”.

E conclui, sem medo de polêmica: “E quem ainda acha que a minha peça destroça os sonhos talvez prefira ficar fantasiando acordado”.

“Enquanto as Crianças Dormem” está em cartaz às quartas e quintas, 20h30, no Teatro Aliança Francesa (r. General Jardim, 182, metrô República), em São Paulo, com entrada a R$ 25 e R$ 50 até 27 de julho.

Carol Hubner, Haroldo Miklos, Diogo Pasquim e Juan Manuel Tellategui em cena do antimusical “Enquanto as Crianças Dormem”, de Dan Rosseto – Foto: Leekyung Kim

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