Enxuta, 4ª MITsp tem sete peças internacionais inéditas no Brasil

Cena de “Avante, Marche”, que abrirá a 4ª MITsp – Foto: Phil Deprez

Por Miguel Arcanjo Prado

Começa no próximo dia 14 de março e vai até o dia 21 deste mês a quarta edição da MITsp, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo.

Com uma programação enxuta por conta da crise econômica, o festival tem sete peças internacionais inéditas, além de três brasileiras, das quais duas também são inéditas, totalizando 31 sessões em oito dias de evento.

A abertura ficará a cargo do espetáculo belga “Avante, Marche!”, no nobre palco do Theatro Municipal de São Paulo. Há ainda peças da Alemanha, Chile, Líbano, África do Sul e Brasil.

Idealizada pelo diretor Antônio Araújo e o produtor cultural Guilherme Marques, a MITsp é inspirada nos antigos festivais realizados por Ruth Escobar. O foco é trazer ao Brasil nomes expressivos do teatro mundial em nome do diálogo artístico.

Racismo

Após a polêmica na MITsp no ano passado, com direito a levante de atores negros nos corredores dos teatros na ação performativa “Em Legítima Defesa”, neste ano “o protagonismo do negro/autodeterminação” é um dos temas, ao lado de “teatro documentário” e do “hibridismo entre as linguagens artísticas”.

Eugenio Lima, que dirigiu a impactante performance “Em Legítima Defesa” no ano passado, coincidentemente mesmo nome da revista do grupo Os Crespos, desta vez volta com “A Missão em Fragmentos: 12 Cenas de Descolonização em Legítima Defesa”, mais uma vez tocando no tema do racismo.

“A Missão em Fragmentos” discute o racismo na MITsp – Foto: Cristina Maranhão

O ponto de vista dos brancos em relação ao racismo estará em “Branco: O Chiro do Lírio e do Formol”, com concepção de Alexandre Dal Farra. Nesta linha de discussão, o evento ainda terá o seminário “Discursos sobre o Não Dito: Racismo e a Descolonização do Pensamento“, com curadoria de Eugênio Lima e Majoí Gongora.

Já no campo do teatro documentário, a MITsp apresenta três trabalhos do libanês Rabih Mroué: “Tão Pouco Tempo” (So Little Time), “Revolução em Pixels” (Pixelated Revolution) e “Cavalgando Nuvens” (Riding on a Cloud). Ainda na área do teatro documentário está “Mateluna”, peça escrita e dirigida pelo chileno Guillermo Calderón.

Complementa o eixo curatorial do evento a mistura de linguagens artísticas, presente nos demais espetáculos convidados, “Avante, Marche!” (En Avant, Marche!) direção de Alain Platel e Frank Van Laecke, da companhia les ballets C de la B, “Por que o Sr. R. Enlouqueceu?” (Warum läuft Herr R. Amok?), direção de Susanne Kennedy e produção da Münchner Kammerspiele, e “Para que o Céu não Caia”, da Lia Rodrigues Companhia de Danças, espetáculo estreado na Alemanha e que passou por várias cidades da Europa.

Conheça a programação da MITsp

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