“Bacantes” do Oficina dá vacina antropófaga no Brasil de crise e depressão

A atriz Camila Mota, no primeiro plano, em cena de "Bacantes" do Oficina - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Camila Mota, em “Bacantes”: “vacina antropófaga contra crise e depressão”- Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Por Miguel Arcanjo Prado

Uma maratona teatral de seis horas de duração (com direito a dois intervalos) está de volta aos palcos paulistanos em novíssima montagem assinada por ninguém menos do que José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, com seu Teat(r)o Oficina, o mais belo do mundo segundo o jornal inglês The Guardian.

“Bacantes”, uma das mais emblemáticas montagens da trupe, volta ao cartaz duas décadas depois de sua primeira montagem, em 1995, com a origem do teatro em 25 cantos e cinco episódios como tema. No palco, estão 70 artistas.

Além da autoria e direção, Zé também assina a música, que transforma a tragédia grega em uma ópera de Carnaval. Em foco, nascimento, morte e renascimento de Dionisios, Deus do Teatro, do vinho e do Carnaval, tão cultuado pelo Oficina e seus artistas. Na peça, o elenco convida o espectador a participar da peça e tirar a roupa. Na antiga montagem, em sessão no Rio em 1996, o cantor e compositor baiano Caetano Veloso, que estava na plateia, foi desnudado literalmente pelos artistas.

Como parte da comemoração dos 70 anos do Sesc, a obra estreia no Teatro Sesc Pompeia nesta sexta (21), onde fica em cartaz em curtíssima temporada até este domingo (23), depois indo para a sede do próprio Oficina, no bairro do Bixiga, onde estreia no dia 28 de outubro, ficando em cartaz até 23 de dezembro. O curioso é que ambos espaços foram projetados pela aguerrida arquiteta Lina Bo Bardi, a mesma que projetou o Masp.

Coro da peça "Bacantes", de volta duas décadas depois - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Coro da peça “Bacantes”, de volta duas décadas depois – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

O ator Marcelo Drummond diz que voltar à montagem – ele estava na trupe na versão de 1995 – é retomar suas origens no grupo. “Cheguei em São Paulo na década de 1980 para ser Dionísio. Agora, 30 anos depois, estou fazendo o que vim para fazer aqui”, sintetiza à reportagem.

Em conversa com o Blog do Arcanjo do UOL, Camila Mota, uma das principais atrizes da peça e da história do Oficina, diz que “Bacantes” é “uma vacina antropófaga para momentos como esse que vivemos agora, com uma polarização muito grande”.

“O coro báquico de 2016 é antropófago. O objetivo de estraçalhar Penteu não é aniquilar o antagonista, é preciso comê-lo, adorar o inimigo sacro, com muita alegria. A produção dessa alegria é um dos grandes presentes dessa peça. A felicidade guerreira tem um valor incomensurável nos tempos de hoje. Por isso, a peça é um rito, uma festa – ela produz as endorfinas tão necessárias nestes dias de crise e depressão”, afirma Camila Mota.

Zé Celso comanda sessão de "Bacantes": foco na origem do teatro - Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

Zé Celso comanda sessão de “Bacantes”: foco na origem do teatro – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício

“Bacantes”
Sesc Pompeia
Sexta (21) e sábado (22), 18h, domingo (23), 17h. R$ 12 a R$ 40. Rua Clélia, 90, Pompeia, São Paulo, tel. 3871-7700. 18 anos.
Teat(r)o Oficina
28/10/2016 a 23/10/2016 – Sábado e domingo, 18h. No dia 28/10, excepcionalmente às 20h. Sessões especiais: 2/11 e 23/12. R$ 60 e R$ 20 (moradores do Bixiga). 18 anos

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