Brasileiro conquista teatro do Uruguai com carreira internacional

Por Miguel Arcanjo Prado

O diretor, ator e dramaturgo mineiro Léo Kildare Louback, de 31 anos, está fazendo barulho em Montevidéu, onde vive desde agosto para produzir duas obras com sua recém-criada produtora, MartesNueve.

Neste sábado (15), estreia por lá “Leve Cicatriz”, da qual assina texto e direção. A peça, com a atriz uruguaia Verónica Mato, ocupa um casarão uruguaio, em uma proposta intimista.

O texto, segundo Louback conta ao Blog do Arcanjo do UOL direto de Montevidéu “é declaradamente feminista” e “convida a uma reflexão sobre a violência e o lugar da mulher na sociedade a partir de um diálogo com Shakespeare”.

A obra já teve versão brasileira com a atriz Luciana Brandão e a TEMO companhia, participando da Virada Cultural de BH e do festival Satyrianas em São Paulo.

Ao lado de seu sócio na MartesNueve, o diretor e dramaturgo argentino Patricio Ruiz, Louback chegou ao Uruguai após estrearem três peças na Cidade do México no primeiro semestre de 2016, após passagem por Cuba. Os dois estão radicados em Buenos Aires, Argentina.

Na última quarta (5), estrearam no Tetro Solís, o mais importante palco uruguaio, a obra “Cabalgar”, produção da MartesNueve com a Extra Conglomerado, escrita e dirigida por Ruiz com atuação de Federica Presa.

Léo Kildare Louback, em Buenos Aires, cidade onde vai morar - Foto: Divulgação

Léo Kildare Louback, em Buenos Aires, cidade onde o mineiro se radicou – Foto: Divulgação

Histórico

Léo Kildare Louback nasceu em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde trilhou a maior parte de seus 16 anos de carreira. Formado em letras pela UFMG e pós-graduado em Arte da Performance pela Faculdade Angel Viana, ele também cursou mestrado em Estudos da Tradução pela UFSC e morou na Alemanha, onde estudou na Universidade de Hamburgo.

Kildare faz teatro desde a adolescência. Na juventude, passou a atuar também como dramaturgo e diretor. No cinema, atuou em “Não Há Cadeiras”, de Pedro Di Lorenzo, e “Trago Seu Amor”, de Dellani Lima.

Entre suas obras mais marcantes no teatro estão “Como Matar a Mãe em 3 Atos”, de 2013 com a Sofisticada Companhia, “Carolina, de Lorca”, com a atriz Carolina Correa e o Grupo dos Dois, que passou por Argentina, Chile e Cuba, e “Temblor, Un Solo para Dos Actrices”, sua primeira obra a ser encenada fora do país, no Festival Santiago Off, no Chile, e em Buenos Aires.

Em novembro, o artista lançará dois livros: sua coletânea de contos “Sobre Voo, ou a Literatura Nasce com a Morte de um Pássaro”, pela Editora Scriptum, e “Raízes e Sementes, Mestres e Caminhos do Teatro da América Latina”, de Miguel Rubio Zapata, diretor do grupo peruano Yuyachkani, traduzido para o português por Louback, pela Editora Paco.

Apesar de a carreira internacional está em momento tão produtivo, Louback não quer perder a conexão com o Brasil. “Em breve volto aos palcos brasileiros, dirigindo uma peça sobre Caio Fernando Abreu, com o ator mineiro André Senna e com novo texto, baseado em ‘Antígona’, com a TEMO Companhia”, adianta.

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