Grupo moçambicano Lareira Artes traz recado potente ao teatro do Brasil

Diaz Santana e - Foto: Divulgação

Diaz Santana e Zaina Rajá em “A Virada do Jogo”, do moçambicano Lareira Artes – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

No Brasil, quando se fala em teatro de Moçambique, país africano que também fala a língua portuguesa, o grande representante é o grupo Lareira Artes, com presença constante por aqui.

Após fazer sucesso no ano passado com a peça “Cinzas sobre as Mãos”, com forte denúncia em relação aos direitos humanos e à guerra na África, no último mês de agosto, a trupe moçambicana participou de festivais da lusofonia em São Paulo e no Piauí com um novo recado potente.

Apresentaram “A Virada do Jogo”, com texto de Diaz Santana e direção de Eliot Alex e com Santana no palco ao lado de Zaina Rajá.

A peça marcou os espectadores com a denúncia da exploração feminina em pleno século 21. Uma das cenas mais marcantes é quando Eliza, a protagonista, canta “Carne”, de Elza Soares, após ser violentada pelo próprio marido.

“Apesar de certos avanços em relação aos direitos da mulher , cresce também cada vez o número de mulheres injustiçadas, mortas, violentadas pelos parceiros, traficadas, casamentos prematuros, mulheres analfabetas em todo mundo e principalmente em África”, fala Santana ao Blog do Arcanjo do UOL, direto de Maputo, capital moçambicana.

Diaz Santana na av. Paulista: embaixador do teatro moçambicano no Brasil - Foto: Miguel Arcanjo Prado

Diaz Santana na av. Paulista: embaixador do teatro moçambicano no Brasil – Foto: Miguel Arcanjo Prado

Em terras paulistas, a obra integrou as comemorações dos dez anos do Circuito de Teatro em Português, organizado pelo Grupo Dragão 7. Em Teresina, fizeram parte da programação do FestLuso, organizado pelo Grupo Harém Teatro.

Ele lembra que muitas brasileiras se identificaram com as situações de violência contra a mulher apresentadas no espetáculo e conta que em Moçambique existiu um projeto de lei que “dizia que bastava o estuprador assumir suas vítimas que não seria responsabilizado”. “Graças à grande intervenção da sociedade civil foi evitada a aprovação desta lei”, conta.

“Nós como artistas não podemos ficar indiferentes perante a este triste cenário”, afirma o artista moçambicano e que diz ser também “brasileiro de coração”.

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