Toquinho e Maria Creuza lembram cultuado disco com Vinicius em Buenos Aires

Maria Creuza e Toquinho no palco: juntos em Buenos Aires - Foto: Divulgação

Maria Creuza e Toquinho no palco: juntos em Buenos Aires 46 anos depois – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Vinicius de Moraes foi um dos principais embaixadores da música brasileira na Argentina, onde deixou fãs devotos até os dias atuais. Nesta sexta (24), dois de seus principais parceiros, Toquinho e Maria Creuza, sobem juntos ao palco do Teatro Gran Rex, em Buenos Aires, para celebrar o Poetinha. E, claro, lembrar do histórico disco “Vinicius de Moares Grabado en Buenos Aires con Maria Creuza e Toquinho”, feito na antiga boate portenha La Fusa, em 1970. Toquinho e Maria Creuza, que hoje mora na Argentina, conversaram com o Blog do Arcanjo do UOL sobre o show “A Arte do Encontro” e as lembranças do passado. Leia:

Miguel Arcanjo Prado — Como é cantar juntos em Buenos Aires 46 anos depois do disco gravado nesta mesma cidade com Vinicius? Do que se lembram daquela viagem de 1970?
Maria Creuza — É alegria, é emoção, é prazer em reviver a sorte que tivemos em compartilhar um padrinho de luxo como Vinicius no início de nossa carreira.
Toquinho — Foi um período inesquecível, revivido a cada nova apresentação. Era o início de nossas carreiras, com o estímulo do grande poeta Vinicius de Moraes. Tudo contribuiu para uma evolução profissional. O sucesso do show em La Fusa, a dimensão que tomou o disco que gravamos, até hoje em catálogo, o ambiente alegre e descontraído, uma festa a cada apresentação. Fica tudo isso na memória, renovado a cada show que fazemos atualmente.

Capa do histórico disco Grabado en Buenos Aires, de 1970 - Foto: Divulgação

Capa do histórico disco Grabado en Buenos Aires, de 1970 – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Por que o disco é tão cultuado até hoje?
Maria Creuza — O disco é cultuado pelo repertório de clássicos da música brasileira escolhido por nós, pela mensagem tão forte da poesia de Vinicius com seus também talentosos coautores e que chegou de uma maneira especial ao coração das pessoas.
Toquinho — Porque é um disco verdadeiro, que revela a simplicidade artística das pessoas e a qualidade das canções. O que acontecia do palco está registrado no disco com a contribuição de técnicos especialmente escolhidos para que tudo saísse da melhor maneira.

Miguel Arcanjo Prado — Quala relação de vocês com os fãs argentinos? Como eles são e quais músicas mais pedem?
Maria Creuza — A relação é de carinho total, respeito por tudo que significou começar nossas carreiras por aqui. Eles têm uma admiração extraordinária por nossa música! E pedem desde “Garota de Ipanema”, “Tarde em Itapoã”, “Você Abusou” e “A Felicidade”, entre outras.
Toquinho — A Argentina sempre esteve presente em nossas carreiras, com shows não só em Buenos Aires, mas em tantas outras cidades pelas quais passamos durante todos esses anos. Sempre sendo recebidos com carinho e reconhecimento das pessoas pela nossa arte musical. O povo argentino é “caliente”, de espírito descontraído, tão próximo do brasileiro, admirando e prestigiando nossa música, principalmente as de maior sucesso.

Toquinho, Vinicius e Maria Creuza na década de 1970: parceria - Foto: Divulgação

Toquinho, Vinicius e Maria Creuza na década de 1970: parceria – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado — Vocês acham que os brasileiros deveriam conhecer mais a música argentina, já que os argentinos gostam tanto muito de música brasileira? Por que o Brasil ainda é tão distante da música argentina?
Maria Creuza — Acho que os brasileiros estão demonstrando mais interesse pela música argentina, porque estão se informando através de constantes viagens e se acercando mais com tantos meios de comunicação, que os informa sobre os novos talentos argentinos e até demonstram que estão gostando mais do tango com essa nostalgia típica. E notam mais riqueza harmônica nesses temas ,o que está nos aproximando mais realmente agora.
Toquinho — Não me parece que o brasileiro esteja tão distante da música argentina. O tango é muito apreciado por aqui e os locais que se caracterizam por suas apresentações em Buenos Aires são os primeiros a serem procurados por brasileiros que tanto apreciam a noite portenha.

Vinicius, Maria Creuza e Toquinho: trio importante da MPB - Foto: Divulgação

Vinicius, Maria Creuza e Toquinho: trio importante da MPB – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado — O que de especial estão preparando para este show no Gran Rex de Buenos Aires? Vinicius será homenageado?
Maria Creuza — Como diz o título do show, se trata da “arte do encontro”, baseado na frase do Vinicius: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”…. Pois se tratando de Toquinho e eu, cada vez que temos a oportunidade de nos encontrar é um prazer que se renova, pois tivemos a sorte de começarmos juntos. Também no caso de Toquinho, a vida fez com que ele fosse o último parceiro de Vinicius em tantas canções que vamos a cantar nesse recital do Gran Rex, clássicos que marcam até hoje a preferência do público por essa obra extraordinária, que nos faz reviver em nossa homenagem ao poeta maior.
Toquinho — Vinicius estará sempre presente em nossos shows, pois foi marcante sua participação em nossas vidas, tanto pessoal quanto profissionalmente. Além de nossa íntima ligação com a bossa nova, base de nossa formação musical. Certamente, faremos muitas menções textuais e musicais a ele nessa noite, que contará também com a participação do compositor e pianista argentino Gabriel Sivak.

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