Bailarina enforcada pela echarpe tem história contada na peça “Isadora”

Melissa Vettore e Daniel Dantas estão em "Isadora" - Foto: João Caldas/Divulgação

Melissa Vettore e Daniel Dantas estão em “Isadora” – Foto: João Caldas/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Considerada mãe da dança moderna, a bailarina norte-americana Isadora Duncan teve uma morte trágica aos 50 anos, em Nice, na França: sua echarpe de seda enrolou-se na roda do automóvel, enforcando-a. A peça “Isadora”, que estreia nesta sexta (20), no Auditório do Masp, em São Paulo, quer ir além desse triste fim e contar a vida e a obra desta mulher que teve importância crucial na arte no começo do século 20.

Isadora enfrentou não só o rigor da dança clássica, propondo novas formas de movimentação expressiva do corpo, quanto os ditames da sociedade de sua época: em meio a um pensamento machista e patriarcal, teve filhos com homens diferentes e sempre encarou seu corpo como uma prova de sua própria liberdade. Melissa Vettore, também responsável pelo texto do espetáculo, é quem assume a personagem.

A bailarina Isadora Duncan (1877-1927)

A bailarina Isadora Duncan (1877-1927)

“Eu acho que a morte dela impressiona, sim. Quando criança, ouvi a história da bailarina que tinha usado uma echarpe e que terminou sendo enforcada. Mas, hoje, o que me impressiona mais é conhecer a obra dela, o que ela tem para dizer. Dizem que as últimas palavras dela foram: ‘adeus, meus amigos, eu vou para o amor’. Ela gostava tanto do vento, da coisa esvoaçante e ao mesmo tempo tinha a tragédia da morte dos filhos, também em um carro; então, isso acaba fazendo algum sentido”, fala a atriz.

O enredo da peça mostra um encontro fictício entre Isadora e o editor de sua biografia, Henry, papel de Daniel Dantas. “Ele é um grande companheiro. É um ator que tem relação forte com o texto, com a fala. Veio para somar”, define.

Para Melissa, “o principal da Isadora Duncan é a ideia de liberdade, que seu corpo é seu e que a arte deve interagir com a sociedade”. Ela lembra que a artista homenageada lutou pela liberdade feminina. “Ela colocou sua arte à serviço de uma sociedade melhor. Lutou pela liberdade do corpo feminino, pela liberdade de expressão, por uma melhor educação para as crianças”, declara.

Na feitura da peça, Melissa debruçou-se sobre farta pesquisa, além de contar com colaboração de Daniel Dantas e de Elias Andreato, o diretor da peça, que a idealizou com a atriz. A autobiografia da dançarina, “Minha Vida”, serviu de fio condutor da peça, que mistura fatos reais com a ficção: “A coluna vertebral da peça é a biografia, mas é uma obra de ficção, o encontro com o editor não existiu, ela fez a biografia sozinha”.

Em sua pesquisa, Melissa descobriu uma figura foi primordial na formação de Isadora: a mãe da artista. “Eles eram ricos e perderam tudo, e a mãe dela precisou trabalhar. Ela assistiu a força que surgiu nesta mãe e isso foi determinante em seu olhar para a mulher”, diz.

“Isadora”
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h30. 75 min. Até 31/7/2016
Onde: Auditório MASP Unilever – Av. Paulsita, 1.578, São Paulo, tel. 11 3149-5959
Quanto: R$ 40
Classificação etária: 12 anos

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