Túnel vira point dos alternativos do Festival de Curitiba com o Coletivo de Pequenos Conteúdos

Sorriso no túnel: diretores do Coletivo de Pequenos Conteúdos querem inovar – Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 a Curitiba

Se você quer apostar em uma proposta mais “alternativa” e está de bobeira no Festival de Curitiba há uma opção cênica praticamente obrigatória. Correr para o soturno TUC (Teatro Universitário de Curitiba), que fica num túnel que liga a região do Memorial de Curitiba à praça da Catedral, no centro.

É lá que está em cartaz a mostra Coletivo de Pequenos Conteúdos, com espetáculos jovens, experimentais e de curta duração.

A iniciativa é a forma que alguns grupos da capital paranaense encontraram para sobreviver ao mar de peças no Fringe, a mostra paralela do evento. Afinal, diante das 374 montagens do Fringe, eles ganham mais atenção tanto do público quando da imprensa ao se unirem.

Tem opção variada. E é interessante ver artistas curitibanos interessados em gêneros mais alternativos e arriscados.

O R7 já assistiu a duas montagens do Coletivo de Pequenos Conteúdos. Ela e Wunderbar.

Ela
Ela é uma peça de viés pós-moderno de apenas 15 minutos dirigida por Rachel Schaedler com o grupo Vereda. Em cena, Johnny Leal e Maryah Monteiro começam com um longo silêncio, no qual aparentemente nada sucede, o que faz com que a plateia suspeite de que será assim por toda a montagem. E quando se está a ponto de desisti a ação começa. O texto escrito pela diretora tenta apresentar a problemática de uma mulher que tem ciúme da relação que seu companheir tem com a cachorra dele. A dramaturgia em alguns momentos traz diálogos que parecem extraídos de filme pornô, com frases memoráveis como “não gosto de transar porque embaraça o meu cabelo”. Provoca risos nervosos na plateia. Pelo menos, ninguém sai sem sentir alguma coisa.
Avaliação: Fraco
Saiba mais informações sobre Ela.

Wunderbar
Wunderbar, dirigido por Ricardo Nolasco da O Estábulo de Luxo e Selvática Ações Artísticas, vai buscar referências no ambiente de cabaret e em Alice no País das Maravilhas. Após um momento na rua, e que na sessão vista pelo R7 aconteceu debaixo de chuva, o público é levado ao teatro onde vê seres grotescos discorrerem sobre suas mazelas, entre elas a do próprio grupo de não ter projetos aprovados em editais e leis de incentivo cultural. Justiça seja feita: o elenco formado por Danielle Campos, Juliane Souto, Stéfano Belo e Thaís Ipanema mergulha de cabeça na salada cênica apresentada. O problema é que tal mistureba deixa evidente a falta de alguma narrativa discursiva concreta. O que se vê é uma fragmentação de quadros onde cabe de tudo um pouco: cabaret, Alice, Björk, dança, protesto político e até funk carioca.
Avaliação: Regular
Saiba mais informações sobre Wunderbar.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

 

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1 Resultado

  1. Felipe disse:

    Quando o alternativo não é agressivo, é muito legal. Vira uma grande brincadeira. Duro é aguentar os pretensos alternativos, na verdade, a tribo dos descolados, que são patrulheiros ideológicos da modernidade e que saem distribuindo rótulos de “careta” para todos que não rezam a mesma cartilha totalmente liberalizante (em todos os sentidos) deles. Felizmente, não é o caso do povo do Túnel. Pela foto dá para ver que é um pessoal despretensioso. Certamente o evento deve rolar na maior camaradagem, sem as terríveis brigas d´egos do povo “estrelinha”.

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