Morre Rubén Rada, grande nome da música do Uruguai, aos 83 anos

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
O cenário artístico sul-americano amanheceu em luto neste dia 26 de agosto. Rubén Rada, pilar indiscutível da música uruguaia e figura exponencial da cultura rioplatense e da música afro-latina morreu após um mês de batalha contra uma pneumonia, segundo confirmação oficial de seus familiares. Ele voltaria aos palcos em outubro ao lado da lendária formação do Totem, grupo com o qual revolucionou a cena musical nos anos 1970. Ele se apresentou pela última vez no Brasil em 2023, quando, cheio de energia, fez show no Sesc Pompeia, em São Paulo, visto por este jornalista e sob produção da Mundo Giras, de Hernan Halak.
Nascido em Montevidéu a 16 de julho de 1943, Rada transformou sua trajetória vital em um verdadeiro hino de celebração do candombe. Percussionista de intuição genial, cantor de alcance vocal singular, compositor, ator e apresentador, ele articulou como poucos as raízes do carnaval e das comparsas com vertentes do rock, do jazz, da música brasileira e do pop regional.
A identidade de Rada foi moldada nas ruas de seu país natal. Ainda na infância, integrou a tradicional comparsa Morenada, migrando posteriormente para a murga e para a orquestra Cubanacán de Pedro Ferreira — mestre a quem atribuía sua base rítmica primordial.
Após passagens pelo The Hot Blowers, Rada integrou o grupo El Kinto. O projeto tornou-se um marco divisor de águas ao fundir percussões tradicionais como tumbadoras e baterias com guitarras elétricas e letras em espanhol, gestando a estética revolucionária do candombe beat.
A era Totem: Entre 1970 e 1973, liderou a banda Totem, um dos pilares mais cultuados do rock uruguaio. O grupo gravou obras vitais e eternizou composições fundamentais do repertório pan-americano, tais como “Dedos”, “Biafra”, “Heloísa” e “Negro”.
A partida de Rubén Rada encerra uma percurso artístico resplendoroso e deixa um vazio incalculável nas artes da América do Sul e um legado incomensurável à música latino-americana.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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