Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas faz oitava edição em Santos de 3 a 13 de setembro

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
De 3 a 13 de setembro de 2026, a Baixada Santista recebe a oitava edição do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas. O evento, promovido pelo Sesc São Paulo, reúne 41 espetáculos vindos de 15 países e ocupa teatros, praças e pontos de Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente. O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado cobrirá o evento em Santos a convite do Sesc São Paulo.
Nesta edição, a programação homenageia o Equador e integra as comemorações dos 80 anos do Sesc. A escolha do Equador como país homenageado coloca em foco produções da América do Sul com recortes que abordam ritos e feridas do período colonial.
A abertura fica por conta de Medeas, da equatoriana Colectiva Mitómana, montagem que junta canto, dança e coro para retomar a figura do mito grego em discussão sobre maternidade e papéis sociais impostos às mulheres. Na mesma mostra, a Colectiva Yama apresenta Papakuna – Agroteatro Cómico Musical, obra que trata do cultivo de batatas na região dos Andes como forma de manutenção cultural e comunitária.
Já a travessia de migrantes na fronteira com a Colômbia ganha corpo em La Trocha, trabalho de Runga Arte Experimental com a artista argentina Melina Seldes. Na Mostra Internacional, o festival marca a entrada da Guatemala no circuito, além de trazer montagens de outros 12 países.
Entre as atrações de fora do Brasil está a diretora espanhola Angélica Liddell, que apresenta Seppuku – El funeral de Mishima o El placer de morir, criação baseada em rituais samurais, no teatro nô e em textos do escritor japonês Yukio Mishima.
Do Chile, Vampyr, com direção de Manuela Infante, utiliza o formato de falso documentário para abordar a morte de morcegos em aerogeradores eólicos e propor debate sobre a separação entre natureza e cultura.
A argentina Marina Otero assina Ayoub – El amor me enseña a no amar, peca centrado em relacionamentos e diferenças culturais no Marrocos. Do México, o encenador Anacarsis Ramos sobe ao palco com a mãe, Josefina Orlaineta, em Mi madre y el dinero, para narrar a trajetória familiar ligada à busca pela subsistência por meio de dezenas de empreendimentos comerciais.
O panorama nacional do festival inclui estreias como Casa do Norte, na qual o Grupo Clariô de Teatro trata de migração e memória ao completar duas décadas de trajetória em Taboão da Serra. A Cia. Extemporânea leva ao palco uma adaptação de Macbeth encenada por elenco de drag queens.
A parceria entre Lume Teatro e Cia. Clowns de Shakespeare resulta na montagem de …ao mesmo tempo…, apresentada em praças públicas de Santos e São Vicente com foco no tempo e nas lembranças.
Segundo o diretor do Sesc São Paulo, Luiz Galina, “a programação desta edição reflete o compromisso do Sesc com a diversidade, a acessibilidade e a cooperação cultural”. Ele aponta que “ao ocupar teatros, ruas, praças e espaços históricos da Baixada Santista, o Mirada amplia o acesso à produção cênica contemporânea e promove encontros entre diferentes públicos e perspectivas”.
A programação completa está no site oficial: https://www.sescsp.org.br/mirada2026/

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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