Pierre Verger ganha livro Iorubahia com seus textos sobre relações afrodiaspóricas

Livro Iorubahia tem lançamento em Salvador e em São Paulo © Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Coletânea produzida em parceria com a Fundação Pierre Verger, Iorubahia reúne doze textos escritos pelo fotógrafo e etnógrafo Pierre Verger (1902-1996) entre os anos 1950 e 1980, boa parte inéditos em português, sobre as relações históricas entre o Brasil e o golfo do Benim, a cultura iorubá e a religião dos orixás. Com organização de Ângela Lühning, especialista na obra de Verger, o livro acompanha o mergulho que o etnógrafo fez na cultura iorubá no período, lançando-se às pesquisas de campo tanto no Benim e na Nigéria, onde chegou a viver por doze anos, quanto nos contextos diaspóricos, como Bahia e Cuba.

Pierre Verger © Divulgaçaõ Blog do Arcanjo 2026

Iorubahia nasce do processamento de manuscritos encontrados no acervo da editora soteropolitana Corrupio – a primeira a publicar a obra de Verger no Brasil –, que pertence ao Instituto Çarê desde 2019. Muitos foram escritos para palestras que Verger proferiu no Brasil e na África Ocidental nesses anos, em que tornou-se doutor em estudos africanos pela Escola Prática de Altos Estudos, em Paris, foi pesquisador das universidades de Ibadan e Ilê-Ifé, e percorreu cidades e vilas do interior do país iorubá para presenciar rituais e coletar relatos orais de babalaôs.

Tratando de aspectos da história colonial e da religião iorubá, como o transe, o uso litúrgico das plantas e o sistema de divinação Ifá, os textos de Iorubahia representam, segundo Ângela Lühning, “faces relevantes da trajetória multitemática e multiespacial do pesquisador Pierre Fatumbi Verger, que ele manteve em processo de construção constante, além da carreira do fotógrafo já consagrado”.

Convidado a olhar para a contribuição de Verger aos estudos africanos e afro-brasileiros desde uma perspectiva contemporânea, o pesquisador, curador e multiartista Tiganá Santana ressalta, em seu posfácio ao livro, o fato de o etnógrafo não hierarquizar a importância do que é africano-iorubá e afro-brasileiro. Antes, afirma, “Verger convoca que se esteja, seriamente, lá (em algum locus existencial do continente africano) e que se redimensione, por conseguinte, o que é nascer/viver cá. Em última análise, que se repense o ‘lá’ e o ‘cá’. Nada é simples em toda essa história; muito menos deve ser a nossa inserção nela, a nossa recepção dela.”

Parceria com a Fundação Pierre VergerIorubahia é uma publicação do Instituto Çarê, organização cultural sem fins lucrativos que se dedica a preservar e a fomentar manifestações culturais brasileiras de relevo. O livro nasceu do processamento do acervo da editora soteropolitana Corrupio, adquirido em 2003 pelo Çarê. Com organização de Angela Lühning, tem projeto gráfico de Oga Mendonça e posfácio de Tiganá Santana

Para marcar a chegada da publicação, o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger promovem dois lançamentos públicos. Salvador recebe o primeiro encontro, no dia 8 de agosto, durante a programação da 10ª Flipelô, Festa Literária Internacional do Pelourinho. Em seguida, no dia 16 de setembro, o livro será apresentado em São Paulo, no auditório da Biblioteca Mário de Andrade. Nos dois encontros, os pesquisadores Ângela LühningAngela Fileno eTiganá Santana discutem a trajetória de Verger e os temas presentes na obra.

O autor

Pierre Fatumbi Verger (Paris, 1902 – Salvador, 1996) iniciou sua trajetória profissional nos anos 1930, tornando-se conhecido como fotógrafo viajante. Em 1946, fixou residência em Salvador, onde trabalhou inicialmente como repórter fotográfico para a revista O Cruzeiro. Mais tarde, enveredou pela pesquisa documental e de campo nas áreas de antropologia, história, conhecimentos orais e botânica, conforme seu interesse se ampliava para questões históricas e culturais, e as tradições religiosas de matriz africana. Em 1966, tornou-se doutor em estudos africanos pela École Pratique des Hautes Études (EPHE), em Paris. É autor de obras referenciais para o estudo dos trânsitos culturais atlânticos e da presença iorubá na diáspora, como Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos, dos séculos XVII a XIX.

Iorubahia _ Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim

Pierre Fatumbi Verger

Ângela Lühning (org.)

Letra da Cidade/Fundação Pierre Verger, 2026

ISBN 978-65-998062-6-1

320 páginas

R$ 110

https://institutocare.org.br/nucleos/livros/coletanea-reune-textos-raros-de-pierre-verger

Lançamentos/Serviço:

Salvador – BA

Quando: 8 de agosto (sábado), às 16h

Onde: Casa do Olodum, Salvador (BA)

Evento: 10ª Flipelô, Festa Literária Internacional do Pelourinho.

Mesa de lançamento: Ângela Lühning, Angela Fileno, Tiganá Santana e Teté Martinho (mediação).

Entrada: Gratuita.

São Paulo – SP

Quando: 16 de setembro (quarta-feira), às 19h

Onde: Biblioteca Mário de Andrade (Auditório)

Mesa de lançamento: Ângela Lühning, Angela Fileno, Tiganá Santana e Teté Martinho (mediação).

Entrada: Gratuita, com retirada de ingressos 1 hora antes.

ANO: 2025
320 PÁGINAS
ISBN: 978-65-998062-6-1
PREÇO: R$ 110

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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