★★★★ Crítica: Bicho Alumbroso nas Entranhas do Encanto valoriza o folclore no FIT Rio Preto

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial a São José do Rio Preto, São Paulo*
★★★★
BICHO ALUMBROSO NAS ENTRANHAS DO ENCANTO
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Peça vista no 57º FIT Rio Preto
A tecnologia anda nos roubando a poesia de nossas tradições. Por isso, ver um espetáculo como Bicho Alumbroso nas Entranhas do Encanto na programação de um grande festival como é o FIT Rio Preto, o Festival Internacional de São José do Rio Preto, é um verdadeiro alento. É um sopro de poesia viva com ícones do nosso folclore. Idealizada, dirigida e interpretada pelo talentoso Chico Henrique, a performance é uma ode ao sertão profundo do Ceará, de onde a peça vem de Quixeré, costurada com a precisão de quem conhece o peso da terra sob as solas. Henrique dá corpo a um ser híbrido, uma quimera mística que perambula em busca de suas raízes. A integração do teatro de animação com figurinos radiantes cria um jogo tátil e convidativo à participação intensa das crianças presentes. É teatro que acolhe e onde todos se sentem à vontade, bem longe da arrogância que tem empobrecido nosso teatro. Chico Henrique ainda tem a companhia na cena de Janaíle Soares, também na produção e operação de luz, e da pequena e graciosa Mahara. A peça ainda tem trilha de Jhonata Sol, com a música Porteira Que Passa Um Boi, de Poeta Beija-Flor e Gilson Saraiva, além de vozes em off de Orlângelo Leal, Maria Vitória e Jéssica Teixeira. Mais do que um resgate folclórico, nos lembrando de lendas como Matinta Pereira (da música Águas de Março, com Elis e Tom, lembra?) e Boitatá, a peça é um resgate do Brasil profundo. Em um tempo em que as identidades são achatadas pela homogeneização das telas, ver o folclore nordestino ser renovado é um lembrete vívido: sem as nossas assombrações e mistérios originais, viramos apenas engrenagens vazias. Bicho Alumbroso é o teatro lembrando que o homem ainda precisa do mito poético para não sucumbir à seca da alma.
*O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT Rio Preto.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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