Denise Stoklos volta com premiado solo Mary Stuart no Teatro Vivo para celebrar seus 75 anos

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
“Mary Stuart”, premiado solo que consolidou Denise Stoklos como uma das figuras centrais da cena brasileira e internacional, está de volta, no Teatro Vivo, em São Paulo, a partir deste sábado, 20 de junho, sob curadoria de André Acioli. A montagem, escrita, dirigida e interpretada pela própria artista, comemora 39 anos de exibição ininterrupta e coincide com a marca de 75 anos de vida de sua criadora. As apresentações ocorrem às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h, até o dia 19 de julho, no espaço cultural do Morumbi, zona sul paulistana.
A peça estreou em 1987, no Teatro La MaMa, palco experimental em Nova York. O texto, originalmente inspirado na obra da escritora italiana Dacia Maraini, transformou-se durante o processo de criação. Em um estúdio vazio, cedido pela fundadora do espaço, Ellen Stewart, Stoklos decidiu substituir a estrutura de diálogo por um monólogo. Ela passou a interpretar tanto a rainha da Escócia, Mary Stuart, quanto sua prima, Elizabeth I da Inglaterra, intercalando o conflito histórico com reflexões pessoais sobre as estruturas de poder.
O espetáculo tornou-se a referência máxima do “Teatro Essencial”, linguagem estética cênica introduzida por Stoklos que prioriza os recursos intrínsecos do intérprete como voz, corpo e pensamento, em detrimento de cenários ou figurinos complexos. No palco, a atriz utiliza apenas uma cadeira. Essa precisão técnica é fruto de décadas de formação e pesquisa. Nos anos 1970, após o início da carreira no Paraná e a passagem pelo eixo Rio-São Paulo sob orientação de nomes como Ademar Guerra e Ziembinski, Stoklos buscou na Europa e nos Estados Unidos o aprimoramento em mímica e teatro físico.
A recepção internacional a “Mary Stuart” foi imediata. A estreia em Nova York recebeu destaque no The New York Times, e a montagem circulou por festivais de prestígio, como o Festival de Edimburgo, na Escócia, onde foi classificada entre os melhores espetáculos da edição pelo jornal britânico The Observer. Ao longo das quase quatro décadas, o texto foi traduzido e encenado em oito idiomas e 33 países, exigindo que a própria atriz aprendesse cada uma das línguas para manter a integridade da performance.
Para Stoklos, a longevidade de “Mary Stuart” não configura repetição, mas um processo de lapidação. A cada remontagem, o texto é atualizado pelo acúmulo de vivências da atriz, mantendo a discussão sobre o poder vigente. “É um tema atemporal e presente em nossas vidas”, avalia. A dedicação exclusiva ao palco, que a manteve afastada do audiovisual, reflete sua crença na capacidade do teatro de provocar um encontro genuíno entre o público e o intérprete, funcionando como uma ferramenta de autodescoberta humana diante do avanço tecnológico. “O teatro é a arte do futuro”, avisa.
Enquanto revisita este clássico de seu repertório, a artista prepara um novo projeto solo baseado na obra do escritor paranaense Dalton Trevisan, com estreia prevista para o segundo semestre e direção de Alessandra Maestrini. A obra reafirma sua inquietude criativa, que, mesmo após quase quatro décadas de trajetória, busca continuamente novas formas de expressar a essência do fazer teatral.
Em “Mary Stuart”, sozinha no palco, Stoklos é simultaneamente a rainha da Escócia aprisionada e condenada à morte Mary Stuart e a sua prima, Elizabeth I, rainha da Inglaterra, além de acrescentar elementos de si mesma. Durante cinquenta minutos, a encenação busca distanciar-se do teatro convencional, para desquilibrar as relações de poder.
Serviço:
“Mary Stuart” com Denise Stoklos
Quando: De 20/06 a 19/07/2026, sextas e sábados, 20h, domingos, 18h.
Onde: Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460, Morumbi, CPTM Morumbi, São Paulo)
Quanto: R$ 60 (meia) a R$ 120 (inteira)
https://bileto.sympla.com.br/event/121038/d/387280/s/2563278
Duração: 50 minutos
Classificação etária: 14 anos
Obs. Não haverá sessão nos dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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