★★★★★ Crítica: Fafá de Belém – O Musical reflete o talento do Brasil profundo com encenação vigorosa

Lucinha Lins e Helga Nemetik em Fafá de Belém, O Musical © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

★★★★★
FAFÁ DE BELÉM, O MUSICAL
Avaliação: Excelente
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Qui e Sex 20h, Sáb e Dom 16h e 20h. Até 12/7 no Teatro Claro Mais SP
Compre seu ingresso!

Fafá de Belém sempre foi uma artista fora da curva, autêntica, dona de opinião própria e que nunca aceitou as caixinhas nas quais quiseram colocá-la. Por isso, o Brasil profundo sempre se reconheceu nela, dona de respeitável trajetória de 50 anos nos palcos, o que a torna uma das mais importantes cantoras da música brasileira. Isso fica evidente em Fafá de Belém – O Musical. A superprodução nacional reflete o talento brasileiro, em temporada no Teatro Claro Mais SP, no Shopping Vila Olímpia, após ser aplaudido por 30 mil pessoas no Rio de Janeiro. Idealizado e produzido pelo incansável Jô Santana, homem de teatro que cria espetáculos que valorizam a cultura nacional, o projeto nasceu no Teatro da Paz, marco cênico paraense, com sua Fato Produções em parceria com aCharge Produções. O espetáculo escrito com delicadeza porEduardo Rieche e Gustavo Gasparani é dirigido com maestria pelo último, misturando três tempos da vida de Fafá: a infância arteira em Belém do Pará, a conquista do sucesso nacional no começo da juventude no Rio de Janeiro e os tempos atuais, no qual a cantora, já consagrada, grava um documentário sobre sua trajetória no mesmo Teatro da Paz onde o espetáculo nasceu, em um diálogo entre cinema e teatro. A protagonista, assim, passa primeiro porLaura Saab, neta de Fafá aprovada nas audições, que a interpreta na infância (e que divide a personagem em algumas sessões com Clarah Passos). A jovem atriz faz uma bela estreia, com frescor e serenidade. Helga Nemetik assume o furor da Fafá jovem, musa incontestável, com entrega desmedida e destaque absoluto na montagem, dona de energia reluzente e voz impecável. Por fim, e não menos importante, Lucinha Lins, atriz lendária para os musicais desde sua eterna e graciosa gata deOs Saltimbancos Trapalhões (1981), que interpreta Fafá na atualidade (que também é feita por Mona Vilardo em algumas sessões), já com os cabelos brancos, exala sua rara elegância cênica e domínio do texto e do público. Como é delicioso ver Lucinha no teatro em uma personagem à sua altura. As atrizes, todas excelentes assim como o restante do elenco, imprimem diferentes atmosferas à protagonista, mantendo sua essência contestatória e inovadora. Afinal, Fafá de Belém, como o próprio musical diz, foi uma mulher empoderada bem antes de o termo ser cunhado e nunca aceitou limitações ou preconceitos com sua figura. Muito pelo contrário, abriu caminhos de representatividade com sua garra, coragem e talento. Ainda estão no vigoroso e diverso elenco Clarah Passos, Mona Vilardo, Ananda K,Daniel Carneiro, Diego Luri, Fernando Leite, Gabriel Manitta, Jullie Duarte, Keren Silveira, Naieme, Sérgio Dalcin, Thales Huebra e Thuca Soares, em um time unido e coeso. A cultura do Pará e da Amazônia, da qual Fafá sempre foi fundamental porta-bandeira, brilha em momentos que homenageiam o Círio de Nazaré, as lendas da floresta como o boto e a cobra-grande ou o Festival Folclórico de Parintins, em contagiante encenação. A histórica participação política de Fafá na campanha pelas Diretas Já e redemocratização do país, com sua inesquecível pomba branca e o Hino Nacional que sempre virava deleite em sua aveludada voz, é ponto importante da narrativa, bem como as perseguições sofridas por não ter se calado, inclusive tendo sofrido cruéis ataques na imprensa. É preciso ressaltar a precisão da pesquisa histórica de Rodrigo Faour, homem apaixonado pela MPB e suas cantoras, e a iluminação propositiva de Paulo César Medeiros, criando nuances poéticas. O musical ainda recorda diálogos artísticos marcantes, como com Chitãozinho e Xororó, as drags queens e a comunidade LGBTQIAPN+ e o DJ Zé Pedro. Por fim, Fafá de Belém, O Musical entrega um resultado precioso e que espelha o que é a cantora: um símbolo de talento profundo, inteligência aguda, charme de sobra e, sobretudo, fartura de brasilidade. Quem bom que Fafá de Belém está conosco para ser celebrada em vida!

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FAFÁ DE BELÉM, O MUSICAL
Avaliação: Excelente
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Qui e Sex 20h, Sáb e Dom 16h e 20h. Até 12/7 no Teatro Claro Mais SP
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Fafá de Belém, O Musical: Miguel Arcanjo mostra artistas e equipe nos bastidores!

Blog do Arcanjo mostra quem já aplaudiu Fafá de Belém, O Musical

Fafá de Belém, O Musical: Blog do Arcanjo mostra imagens do espetáculo

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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