★★ Crítica: Adulto/Homem, filme de Pedro Diógenes, seria um ótimo curta

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial a Curitiba
★★
ADULTO/HOMEM
(Brasil, 2026, 70 min, de Pedro Diógenes)
Avaliação: Regular
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Filme visto no 15º Olhar de Cinema Festival Internacional de Curitiba
Ah, como sofrem os atores, profissão que tem muito mais espera e dor do que glamour e fama. Isso fica evidente Adulto/Homem, décimo longa do diretor cearense Pedro Diógenes, que estreou nesta quarta, 10, no 15º Olhar de Cinema Festival Internacional de Curitiba dentro da Mostra Competitiva Brasileira – Longas. Ele transforma em um longa a espera de 20 atores por um teste de elenco, criando um tom de confessionário das agruras profissionais. Mais áudio do que visual, o longa desliza sua câmera por 70 minutos em um único e lento travelling lateral. A sóbria fotografia de Ivo Lopes Araújo apresenta os semblantes de vinte homens sentados e enfileirados. Enquanto a câmera desliza, impassível, ouvimos, como em um podcast, as angústias, os fracassos e também o amor irrestrito pelo ofício da atuação, por mais cruel que ele seja. A ideia é interessantíssima e nobre: mostrar os bastidores da atuação para valorizá-la. Chama a atenção que o diretor tenha escolhido fazê-lo apenas com homens, ignorando as atrizes em seu filme. Se para os marmanjos a profissão já é complicada, imagina para as artistas do sexo feminino. Bom, mas elas sequer conseguiram entrar no filme, o que já diz muito. Entre os homens eleitos, há variados tipos, a maioria dentro do espectro de jovens atores (teria sido interessante ver uma quantidade maior de atores mais velhos e mais experientes, que certamente teriam histórias bem mais profundas a contar). Chama a atenção que um filme que se propõe a homenagear os atores os prive de fazer o que eles mais amam: atuar. Ouvimos vozes de atores (não sabemos se correspondem aos rostos na tela), que contam suas frustrações em ter uma profissão que não é valorizada socialmente, na família e nem mesmo dentro do próprio cinema, onde atores são muitas vezes tratados sem o devido respeito. Inclusive, o momento mais bem humorado é quando um ator sem papas na língua conta os controversos métodos de direção de um cineasta afeito a desequilibrar a saúde mental de seu elenco. A plateia do Olhar de Cinema gargalhou quando o ator revela que enfrentou o diretor. O filme ainda traz em audio diferentes leituras de Teobaldo Morto, Romeu Exilado, texto sobre um homem que mata uma mosca, a maioria feita de modo monocórdico e sem muito brio (a primeira leitura, mais sussurada e com interessantes nuances, é insuperável, o que deixa a pergunta: por que a escolha da direção de começar justo com a melhor versão?). O filme, que seria um ótimo curta-metragem, não tem grande sustentação como longa, sendo reiterativo nas temáticas apresentadas nos depoimentos em áudio e não avançando na imagem. Os candidatos, estáticos, não acompanham as nuances dos relatos e vão perdendo graça ao longo do filme. A teimosa insistência em um único recurso estético cobra seu preço, e o deslumbramento inicial dilui-se no marasmo da repetição conceitual. E, mais uma vez, a exclusão de vozes femininas priva o filme de uma representatividade mais ampla do universo que pretende retratar: o da atuação, onde mulheres, historicamente, sempre foram mais exploradas do que os homens. Ao fim, a sensação é de que o filme tinha uma ótima ideia, mas que a transformou uma planta grandiosa demais para o vaso tão estreito em que escolheu plantá-la.
★★
ADULTO/HOMEM
(Brasil, 2026, 70 min, de Pedro Diógenes)
Avaliação: Regular
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Filme visto no 15º Olhar de Cinema Festival Internacional de Curitiba
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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