Mostra Insubmissa do Festival de Curitiba reúne artistas mineiros em narrativas autorais

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba
Artistas mineiros de Juiz de Fora chegam ao 34º Festival de Curitiba com espetáculos autorais que integram a Mostra Insubmissa, no Fringe. Nos dias 1 a 6 de abril, a programação reúne quatro espetáculos, cenas curtas, leitura dramatizada e música ao vivo que apostam no formato “pague quanto vale”.
Como o próprio nome da Mostra indica, a iniciativa rejeita o convencional e aposta na desobediência como gesto artístico. Em cena, as montagens investem no questionamento e na desconstrução de narrativas para provocar o público. As obras celebram a força das produções independentes, fora dos grandes centros, e atravessam memória, identidade, crenças e infância.
Como já destacado, não há preço fixo para os ingressos: cabe ao público decidir, de forma simbólica e democrática, o valor das apresentações.
Tairone Vale, um dos idealizadores da Mostra Insubmissa, explica como surgiu a ideia: “O projeto nasce de duas necessidades complementares. A primeira, reunir histórias ligadas pela insubordinação, pela reflexão crítica, pela recusa em baixar a cabeça. A segunda, mostrar que essa resistência à opressão vem do interior, chega com o pé na porta e sotaque mineiro, vindo de longe do eixo dos grandes centros e celebrando o impulso criativo artesanal de Minas”.
Entre os destaques da programação está Doce Árido, que encerra a mostra e marca o retorno da atriz Pri Helena aos palcos. A peça acompanha três gerações de mulheres no interior de Minas Gerais, usando a produção de doce de leite como metáfora para discutir herança, sobrevivência e resistência feminina.
A programação também inclui Um Homem Célebre, releitura inspirada na obra de Machado de Assis, além do solo Versão Demo, em que Tairone Vale propõe uma narrativa provocadora ao dar voz ao próprio Senhor das Trevas. Já o espetáculo infantil Como Cozinhar uma Criança mistura humor, música e fantasia para refletir sobre infância e formação.
Além dos espetáculos, a Mostra Insubmissa inclui as cenas curtas Pharmakon e Memento Mori, da Trupe Qualquer, a leitura dramatizada de Big Bang, texto infantojuvenil de Tairone Vale, e ainda um pocket show da Banda Trupicada.
Rafael Coutinho, diretor de Um Homem Célebre e integrante da Trupe Qualquer, celebra a força do teatro autoral: “O teatro independente vive muito da insistência e da coletividade. A mostra também é um gesto de encontro entre artistas, obras e público”.
Confira a seguir a programação completa:
Programação
Pocket Show Trupicada
Com Lívia Gomes e Felipe Tavares à frente, a Banda Trupicada apresenta um show compacto que mistura música, narrativa e interação, criando um clima leve e divertido para todas as idades.
Valor: pague quanto vale
Quando: 1º de abril, às 11h
Cena Curta: Memento Mori
Após um acidente em frente a um cemitério, uma mulher sobrecarregada pelo trabalho passa por uma transformação e decide lembrar a todos da finitude da vida. Inspirada em Hamlet, a cena dialoga com o mundo contemporâneo e critica a lógica exaustiva do trabalho.
Valor: pague quanto vale
Quando: 1º de abril, às 17h
Cena Curta: Pharmakon
Uma mulher com a rotina milimetricamente controlada precisa dormir — e, para isso, recorre a caminhos inesperados. A montagem reflete sobre autocontrole, produtividade e as pressões da sociedade contemporânea, tensionando conceitos como autonomia e subjetividade.
Valor: pague quanto vale
Quando: 1º de abril, às 17h
Como Cozinhar Uma Criança
Em um programa culinário fictício, dois chefs apresentam uma receita inusitada: preparar crianças para que não se tornem adultos “indigestos”. O conflito surge quando eles discordam sobre o modo de preparo, em uma metáfora bem-humorada sobre infância e formação.
Valor: pague quanto vale
Quando: 2 de abril, às 11h e 17h
Versão Demo
Neste solo irreverente, o chamado Senhor das Trevas assume o protagonismo para contar sua própria versão de uma das histórias mais conhecidas da humanidade, com humor ácido e questionamentos sobre moralidade e crença.
Valor: pague quanto vale
Quando: 3 de abril, às 11h e 17h
Um Homem Célebre
Um ator entra em crise ao não reconhecer sua própria imagem antes de subir ao palco, dando início a uma narrativa que se conecta à história de um músico dividido entre sucesso e dilemas existenciais. A peça dialoga com a obra de Machado de Assis.
Valor: gratuito
Quando: 4 de abril, às 11h e 17h
Leitura Dramatizada: Big Bang
Dois seres cósmicos transformam a criação do universo em um jogo, dando origem à Terra e à humanidade — que rapidamente se mostra mais complexa do que o esperado. A proposta mistura humor e reflexão sobre a existência.
Valor: pague quanto vale
Quando: 5 de abril, às 11h
Doce Árido
Três gerações de mulheres vivem da produção artesanal de doce de leite enquanto enfrentam escassez, expectativas e desejos de mudança. Entre tradição e liberdade, a peça constrói um retrato sensível de resistência e herança familiar.
Valor: pague quanto vale
Quando: 5 de abril, às 17h, e 6 de abril, às 11h
*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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