Mãe e filha, Eliete Cigaarini e Gabriela Cigarini reforçam cumplicidade na peça Asas de Pano

Eliete Cigaarini celebra com a filha Gabriela Cigaarini o sucesso da peça Asas de Pano no Teatro do Núcleo Experimental © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Com reportagem de FLORA CARNEIRO

Comemorando 40 anos de carreira, a atriz Eliete Cigaarini estreia na dramaturgia com a peça “Asas de Pano”. No sucesso de público e de crítica no palco do Teatro Núcleo Experimental, ela divide a cena com sua filha, Gabriela Cigarini, que faz sua estreia nos palcos, em uma trama que aborda a síndrome do ninho vazio e segredos familiares, contando ainda com a participação de Anette Naiman no papel da avó falecida. Em entrevista à repórter Flora Carneiro para Miguel Arcanjo, as atrizes contam como é viver essa relação de mãe e filha numa ficção tão diferente da vida real, revelando bastidores do espetáculo dirigido e supervisionado por Otávio Martins, que insistiu para que mãe e filha estivessem juntas em cena. A repercussão tem sido tão boa que a obra teve a temporada estendida e segue em cartaz até o dia 19 de abril. Leia com toda a calma do mundo.

A atriz Eliete Cigaarini celebra sucesso da peça Asas de Pano no Teatro do Núcleo Experimental © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Eliete, você escreveu essa peça há cinco anos. Como surgiu a ideia de convidar a Gabriela para o elenco e percebeu que ela era a pessoa certa para o papel?
Eliete Cigaarini – Quando eu escrevi a peça, era para duas atrizes e um ator, uma comédia. Quando eu decidi montar para comemorar os meus 40 anos de carreira, senti que precisava de um aprofundamento, falar coisas mais importantes. Otávio Martins [diretor] trouxe a ideia de Síndrome do Ninho Vazio como tema e sugeriu que fosse a Gabriela. Fiquei na dúvida, mas no dia seguinte cheguei à conclusão que era ela e que a peça precisaria contemplar questões relativas a ela. Foi aí que surgiu o tema da adoção.

Com 40 anos de carreira e parcerias com grandes mestres, qual é a sensação de ver que sua parceira de cena é a sua própria filha?
Eliete Cigaarini –Estar em cena com a minha filha Gabriela é um grande privilégio. Eu já tinha assistido a este momento sublime quando o Antônio e Bruno Fagundes dividiram o palco; eu fazia parte do elenco na peça Tribos.

A atriz Eliete Cigaarini celebra sucesso da peça Asas de Pano no Teatro do Núcleo Experimental © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Na peça, sua personagem lida com a síndrome do ninho vazio. Na vida real, como você se sente ao pensar em sua filha saindo de casa?
Eliete Cigaarini – Acho que não vou escapar. Em grande parte do tempo eu torço para ela ter essa experiência maravilhosa de ter a própria casa e a vida independente, mesmo porque os pais não ficam para a vida inteira. Mas esse sentimento de corte umbilical é inevitável. Vou sentir falta, saudade e relembrar os momentos maravilhosos que convivemos juntas. Estou procurando me preparar para isso; acho que a peça já está me ajudando.

A atriz Gabriela Cigarini celebra sucesso da peça Asas de Pano no Teatro do Núcleo Experimental © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Gabriela, como tem sido para você estrear nos palcos já com a responsabilidade e o privilégio de atuar ao lado de sua mãe?
Gabriela Cigarini – Sinto que uma coisa depende da outra; por conta desse privilégio, sinto essa grande responsabilidade. Tem muitas camadas: a de estrear profissionalmente, ao lado da minha mãe, de atrizes experientes, num teatro conceituado. Tenho consciência de que preciso aproveitar ao máximo as oportunidades, principalmente ao lado da minha mãe, que é um encontro de almas. Faço isso por mim, pelo amor à arte e por todas as jovens mulheres pretas que não têm a mesma oportunidade. Sei que o espaço artístico ainda é majoritariamente branco, e isso não me intimida; me dá força e coragem para persistir em construir o meu espaço. Por mim e por elas.

A atriz Gabriela Cigarini celebra sucesso da peça Asas de Pano no Teatro do Núcleo Experimental © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Como funciona a relação de vocês em cena? Conseguem separar o “mãe e filha” durante os ensaios e apresentações ou uma coisa completa a outra?
Gabriela Cigarini – Nos ensaios, a gente se respeita como atriz e tem noção do espaço em que a gente está. A gente não conseguiu separar mãe e filha, mas não foi uma coisa que atrapalhou a dinâmica. Muitas pessoas me perguntam se minha mãe me cobra demais, e ela não me cobra nada; nunca me pressionou. Ela sempre me deixou muito livre para seguir com o que eu amo. Qualquer coisa que eu decidisse fazer, tenho certeza de que haveria o apoio da minha mãe e do meu pai.

Público aplaude a estreia da peça Asas de Pano no Teatro do Núcleo Experimental © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Em quais pontos vocês sentem que mais se aproximam e em quais mais se distanciam de suas respectivas personagens?
Gabriela Cigarini – A nossa relação é extremamente diferente da que temos na peça. A única semelhança é que eu sou adotada, mas a linguagem de amor das personagens é muito distinta. Minha mãe e eu temos uma relação transparente, sincera e amiga; a gente aconselha uma à outra.
Eliete Cigaarini – Não há praticamente similitude alguma. A ideia sempre foi construirmos personagens muito distintos da nossa vida, que pudessem ter uma abordagem universal e arquetípica, atingindo o maior número possível de pessoas.

O diretor Otávio Martins e as atrizes Gabriela Cigarini, Eliette Cigaarini e Anette Naiman celebram sucesso de Asas de Pano no Teatro do Núcleo Experimental © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Como a temporada foi estendida, como vocês recebem o sucesso da peça e o que esperam que outras mães e filhas levem consigo após assistirem ao espetáculo?
Eliete Cigaarini – Estamos muito satisfeitos. Gostaria que as mães e filhas que nos assistem não guardassem segredos ou mágoas. A vida é curta demais para as coisas não serem esclarecidas; pequenas omissões podem ser graves numa relação familiar.
Gabriela Cigarini – Espero que as pessoas possam refletir e reavaliar suas relações. Fico muito feliz e satisfeita com isso. Sei que existem muitas relações familiares complicadas, mas essa peça fala muito sobre o amor e o perdão. Sinto que quanto mais transmitirmos essa mensagem, mais as pessoas valorizarão o momento que têm.

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*Estudante de Jornalismo da Universidade Positivo sob supervisão de Miguel Arcanjo em parceria com a professora Katia Brembatti.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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