Camilla Camargo volta com tudo ao teatro e se destaca na comédia Dois Patrões: ‘Minha vocação’ – Entrevista do Arcanjo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
A atriz Camilla Camargo voltou com tudo para o teatro, que define como sua “vocação”. Tanto que emenda duas peças em sequência. Com presença forte no audiovisual recente, após fazer o musical intimista Aqui Jazz no ano passado, a atriz é destaque na peça Dois Patrões, comédia dirigida por Giovani Tozi e Neyde Veneziano que tem feito sucesso e divertido o público no Teatro Itália no centro de São Paulo. Foi por lá que ela recebeu Miguel Arcanjo Prado, em um típico fim de tarde de verão paulistano, para uma entrevista sobre este momento tão especial. Durante a conversa com o Blog do Arcanjo, revelou bastidores do processo de criação de sua personagem, a noiva Clarice, filha de um contraventor que tem um casamento arranjado, além de contar como tem sido o retorno do público e convívio com os colegas na coxia. E ainda revela novidades profissionais. Leia com toda a calma do mundo.
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Miguel Arcanjo Prado – Como é fazer a comédia Dois Patrões?
Camilla Camargo – É um grande privilégio poder fazer um espetáculo dirigido por dois talentos como o Giovani Tozi e a Neyde Veneziano, ainda mais sendo um clássico do teatro em uma adaptação tão contemporânea e deliciosa. A gente se diverte muito em cena, aprende muito uns com os outros, e isso é incrível. Poder contar essa história tem sido realmente uma honra.

Miguel Arcanjo Prado – Como você criou sua personagem nessa peça?
Camilla Camargo – Foi um processo intenso para mim, de muito estudo sobre a commedia dell’arte, seus arquétipos e sobre como fazer essa junção com a atualidade. A Neyde e o Giovani foram fundamentais nesse caminho, especialmente em um momento em que eu precisei que eles me olhassem e dissessem: “Você está no caminho certo”, para que eu pudesse seguir. Ela é a enamorada, uma personagem que se faz do drama, é dramática, mas tem personalidade. Busquei isso tentando trazer leveza e um olhar mais real, de uma menina talvez mimada pelo pai, Pantaleão, que sabe o que quer e bate o pé pelo que acredita. Foi um aprendizado longo e muito bonito.

Miguel Arcanjo Prado – Como é trabalhar com a Neyde Veneziano e o Giovani Tozzi na direção?
Camilla Camargo – É simplesmente incrível. Os dois são opostos que se complementam e se entendem muito bem. Teve um momento em que eu dei uma “bugada” (risos), tentando achar um meio do caminho, porque cada um propunha algo diferente. Mas entendi que, no fim, eles são complementares, e isso me fez crescer muito em cena. Além disso, ambos são extremamente generosos e competentes.

Miguel Arcanjo Prado – Como tem sido o retorno do público?
Camilla Camargo – A gente tinha boas expectativas, sabia que estava tudo muito bom e redondo, mas todas elas foram superadas considerando feedback positivo e acolhedor. As pessoas realmente se divertem muito e também entendem o que existe por trás da comédia. O retorno tem sido extremamente positivo e muito carinhoso.
Na peça Dois Patrões as pessoas realmente se divertem muito e também entendem o que existe por trás da comédia. O retorno tem sido extremamente positivo e muito carinhoso.
Camilla Camargo
atriz
Miguel Arcanjo Prado – Qual o maior desafio em fazer humor?
Camilla Camargo – Ah, o perigo de ir pelo caminho de forçar uma piada ou exagerar. O humor, mesmo pensado e ensaiado, tem bossa exatamente quando soa espontâneo e natural. O tempo do humor é fundamental, assim como entender quando algo é apenas uma graça sutil e quando é para gargalhar. O teatro é vivo, e a comédia muitas vezes nasce do inesperado.

Miguel Arcanjo Prado – Como é o jogo com o restante do elenco? Teve alguém com quem desenvolveu mais afinidade?
Camilla Camargo – O jogo com todos é realmente delicioso. Uma coisa que o Giovani sempre prioriza é uma boa coxia, e ele realmente consegue reunir pessoas muito especiais em cena. Eu adoro todos ali. Claro que, no início, eu tinha mais intimidade com quem já havia trabalhado antes, como o Felipe Hintze, que virou um grande amigo. Mas amo minhas cenas com a Larissa, com a Mila e com o Lazzaratto, são todas divertidíssimas. Todo dia saio de cena dizendo para a Lari o quanto amo nossa cena, para o Laza o prazer que é ser a “filhota” dele, tanto que o chamo de papi na coxia, e a Mila é minha maior parceira de conversas no camarim. Resumindo: afinidade com o elenco não me falta (risos).

Miguel Arcanjo Prado – Você emenda duas peças no Teatro Itália. Você voltou com tudo para o teatro?
Camilla Camargo – Na verdade, eu nunca quis parar com o teatro, mas acabei tendo dois filhos em sequência (na primeira gravidez estive nos palcos até 8 meses de gestação), depois veio a pandemia, e essa volta acabou sendo mais demorada. O teatro sempre foi meu lugar de pertencimento, eu amo fazer. Voltei para um lugar de onde meu coração nunca saiu. Espero estar sempre em cima dos palcos.
O teatro sempre foi meu lugar de pertencimento, eu amo fazer. Voltei para um lugar de onde meu coração nunca saiu. Espero estar sempre em cima dos palcos.”
Camilla Camargo
atriz

Miguel Arcanjo Prado – Tanto na peça anterior, Aqui Jazz, quanto nessa, você canta em cena — e muito bem. Você fez aulas de canto ou é DNA mesmo?
Camilla Camargo – Muito obrigada pelo elogio, primeiramente. Eu já fiz aulas de canto lá atrás, quando fazia mais musicais, como Zorro, o Musical e Shrek, com a Amélia Gumes e o Thiago Gimenes. Atualmente não estou fazendo aulas, mas estudei bastante as canções de Aqui Jazz com a Amélia, porque eu não tinha tanto contato com o jazz antes do musical. É um gênero muito difícil de cantar, mas extremamente encantador.

Miguel Arcanjo Prado – Você tem vontade de fazer mais audiovisual?
Camilla Camargo – Tenho feito bastante, até. No ano passado fiz três filmes: Coração Sertanejo, Caipora e Pacto Maldito, que ainda vão estrear nos cinemas. Também fiz uma novela vertical para o Globoplay chamada Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário. Fiquei muito feliz com tudo o que tem aparecido, mas quero sempre fazer mais, seja no audiovisual ou no teatro. Amo meu trabalho, e estar sempre na ativa é muito gratificante. Este ano, inclusive, já começo fazendo um curta com um elenco incrível, que em breve poderei contar melhor (risos).

Miguel Arcanjo Prado – Por que você faz teatro?
Camilla Camargo – Faço teatro por vocação. Por ser o meu lugar de pertencimento. Porque amo profundamente estar em cena e me sinto preenchida quando estou estudando uma personagem e quando subo ao palco. Sinto que a gente pulsa junto. O teatro faz parte de quem eu sou.



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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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