Rodrigo Teixeira analisa futuro do audiovisual brasileiro na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Internacionalização do cinema foi debatida na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes © Leo Fontes Universo Produção Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Enviado especial a Tiradentes, Minas Gerais

A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes tornou-se palco de uma reflexão franca sobre o destino do audiovisual brasileiro. Durante o 4º Fórum de Tiradentes, o produtor Rodrigo Teixeira — figura central na coprodução do premiado Ainda Estou Aqui — compartilhou uma visão que transita entre o entusiasmo pelas glórias recentes e o pragmatismo diante dos desafios estruturais.

Para Teixeira, o atual prestígio internacional, coroado pela vitória de Walter Salles no Oscar 2025 e pelas indicações de Kleber Mendonça Filho, coloca o setor em um patamar de excelência inédito. “Cinema hoje é o maior orgulho dessa nação. O futebol já não entrega o que o cinema está entregando”, disparou o produtor, ressaltando que a sétima arte assumiu o papel de principal embaixadora da criatividade técnica e artística do país no mercado global.

Apesar da celebração, o tom de Rodrigo foi cautelar quanto à sustentabilidade desse sucesso. Ele destacou que os êxitos de Salles e Mendonça Filho são frutos de um percurso autoral de mais de duas décadas, algo difícil de replicar no curto prazo.

“Eu não vejo o cinema brasileiro, nos próximos dois ou três anos, voltando para o Oscar ou ocupando uma posição de destaque como agora”.
Rodrigo Teixeira
produtor de cinema

O produtor atribuiu essa lacuna à paralisia cultural enfrentada entre 2016 e 2022. Para ele, o hiato de fomento criado por governos pretéritos cobrará seu preço na renovação de talentos, exigindo que o setor mantenha governantes aliados e evite divisões internas.

Como solução, Teixeira instou novos realizadores a expandirem suas fronteiras de captação. A estratégia sugerida foge do óbvio: em vez de disputar os saturados espaços europeus, o produtor aponta para parcerias na América Latina e em polos emergentes como Doha e Marrocos. Para ele, o talento brasileiro é abundante, mas a sobrevivência dessa efervescência depende de políticas públicas sólidas e de uma articulação internacional agressiva.

*O jornalista e crítico Miguel Arcanjo viaja a convite da Universo Produção e se hospeda na pousada Segredo da Serra Guest House.

Acompanhe a Mostra de Cinema de Tiradentes no Blog do Arcanjo!

Editado por Miguel Arcanjo Prado

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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