O Último Ato fala de morte assistida com Eduardo Martini sob direção de Elias Andreato

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
O espetáculo O Último Ato estreia nesta quinta-feira (22), no Teatro União Cultural, em São Paulo, para abordar o tema da morte assistida sob a direção de Elias Andreato. Com texto de Franz Keppler e atuação do premiado Eduardo Martini, a peça cumpre temporada até 26 de fevereiro, com sessões às quintas-feiras, às 20h. Localizado na Rua Mário Amaral, 209, no Paraíso, o teatro recebe o solo com ingressos entre R$ 40 e R$ 80, apresentando uma discussão sobre autonomia e finitude em 60 minutos de encenação.
A trama descreve a preparação de um casal de homens, juntos há 43 anos, para uma viagem definitiva ao Porto, em Portugal. O protagonista, um pintor reconhecido, decide pelo suicídio assistido após o diagnóstico de Alzheimer, em um enredo que guarda semelhanças temáticas com o longa-metragem Amor, vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro, e também com o caso recente do poeta, escritor e compositor Antonio Cícero, irmão da cantora Marina Lima, que optou por findar a própria vida diante do avanço do Alzheimer.
No palco, a última noite antes da partida é preenchida por ligações a amigos, revelando as tensões e os afetos envolvidos na decisão de encerrar a própria vida.
A montagem surgiu de um convite de Martini a Keppler, consolidando uma parceria focada em dramaturgias contemporâneas. Elias Andreato conduz a encenação, priorizando a sobriedade dos diálogos e a contenção emocional, elementos fundamentais para tratar de um tema de alta complexidade ética.
Eduardo Martini utiliza sua experiência cênica para dar voz ao parceiro que precisa lidar com a iminência da perda e o respeito à vontade do outro.
O espetáculo constitui um exame sobre a liberdade individual e os limites do cuidado paliativo. Ao evitar o sentimentalismo gratuito, a obra propõe que o público reflita sobre a dignidade no processo de morrer e a preservação da memória.
A peça não apenas expõe o conflito moral da morte antecipada, mas reafirma o teatro como espaço para o debate de questões humanas fundamentais, oferecendo uma investigação rigorosa sobre a natureza do amor e da renúncia.
Editado por Miguel Arcanjo Prado
Siga @miguel.arcanjo
Ouça Arcanjo Pod
Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
© Blog do Arcanjo por Miguel Arcanjo Prado 2025 | Todos os direitos reservados.


