A Baleia chega a São Paulo com história vencedora do Oscar

A Baleia chega ao Teatro Sabesp Frei Caneca © Ale Catan Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

O Teatro Sabesp Frei Caneca, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo, recebe de 23 de janeiro a 1º de março de 2026 o espetáculo A Baleia, de Samuel D. Hunter. Sob a direção e tradução de Luís Artur Nunes, a montagem marca a chegada de Emílio de Mello ao papel principal, interpretando Charlie no lugar de José de Abreu. O elenco conta ainda com Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e a participação especial de Alice Borges. As sessões ocorrem às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h, com ingressos variando entre R$ 25 e R$ 160, garantindo o acesso democrático ao público paulistano interessado em uma dramaturgia de densa carga emocional e técnica.

A trama narra a vida de um professor de inglês recluso que sofre de obesidade severa e busca desesperadamente uma reconciliação com sua filha adolescente. A obra ganhou projeção global após a adaptação cinematográfica de 2022, dirigida por Darren Aronofsky, que rendeu a Brendan Fraser o Oscar de Melhor Ator. O enredo mergulha nas complexidades de um homem marcado por perdas profundas em um relacionamento homoafetivo e pelo isolamento físico, utilizando essa condição como metáfora para as barreiras comunicativas humanas. A peça explora as cicatrizes deixadas pela intolerância e a urgência de redimir o passado antes que o tempo se esgote.

Para o diretor Luís Artur Nunes, o texto de Hunter é um “presente” que se destaca pela estrutura de narrativa em mosaico, fugindo do óbvio. Nunes ressalta que a montagem é encharcada de humanidade e contradições, focando na empatia. Emílio de Mello, que assume o desafio de dar continuidade ao percurso cênico iniciado por José de Abreu, precisa lidar com uma caracterização minuciosa, que inclui próteses e enchimentos para simular os 300 quilos do protagonista. O ator destaca a intensidade desse processo, que exige uma entrega física e vocal absoluta para transmitir a vulnerabilidade de um homem que, apesar do peso corpóreo, vive em um cenário de silêncios e ausências.

A Baleia representa um estudo profundo sobre a fragilidade da existência e a necessidade intrínseca de conexão. Ao abordar temas como homofobia e fundamentalismo religioso com tamanha sobriedade, a obra transcende o drama individual para se tornar um manifesto sobre o afeto. A trajetória de Charlie é um convite à reflexão sobre as camadas de preconceito que estratificam a sociedade contemporânea. Mais do que um relato sobre a autodestruição, a peça se firma como uma celebração da resiliência espiritual, provando que, mesmo nos momentos de maior obscuridade e reclusão, a busca pela verdade e pelo perdão permanece como o motor essencial da experiência humana.

Editado por Miguel Arcanjo Prado

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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