Bailarinas Incendiadas expõe casos reais de bailarinas que pegavam fogo em cena

Bailarinas Incendiadas mostra que dançarinas literalmente eram incineradas por lâmpadas a gás © Festival de Curitiba Divulgação para Blog do Arcanjo 2026

Nem sempre o balé foi sinônimo de glamour, e muito menos seguro. O que pouca gente imagina é que, no século 19, dançar podia ser fatal. O espetáculo Bailarinas Incendiadas, que integra a Mostra Lucia Camargo, do 34º Festival de Curitiba, conta essa história que ninguém nunca te falou: as tragédias que essas dançarinas enfrentaram no século 19, que pegavam fogo em cena. A peça faz duas sessões nos dias 9 e 10 de abril, às 20h30, no Teatro Cleon Jacques.

Esses eventos sombrios ocorridos com as bailarinas são reais e vieram à tona a partir de um ensaio do professor argentino Ignacio Gonzales, que revela como, no século 19, eram frequentes os acidentes causados pela iluminação com lampiões a gás. As chamas atingiam facilmente os figurinos de tule, altamente inflamáveis, usados em cena. A pesquisa chamou a atenção da influente bailarina Luciana Acuña, que transformou essa premissa no ponto de partida para o espetáculo, uma criação performática que mistura dança, teatro, música e cinema, e que alcançou grande sucesso de público e crítica.

Na peça, Luciana discute quem eram aquelas mulheres e se aquilo era realmente um acidente ou parte programada do espetáculo. A diretora inclui nessa composição a lenda de uma santa popular, La Telesita, que tem muitos devotos na cidade do norte argentino Santiago del Estero e que também morreu incendiada.

“Bailarinas que pegam fogo por causa de seus vestidos. Vestidos que produzem beleza. Morrer pela beleza. Vale a pena perguntar o que disso ainda permanece hoje. E essa pergunta fica no ar”, disse a diretora em entrevista à revista Replicantes.

O espetáculo aposta em uma forte entrega física das bailarinas e em uma encenação que combina diferentes linguagens, como vídeo, música e efeitos visuais. A proposta também depende da participação ativa do público, que deixa de ser um mero espectador.

“Desde o começo tive a intuição de que todos deveriam estar dentro dessa fogueira. Não era uma obra para ser vista de longe. Não havia tanto algo para mostrar, mas sim algo para compartilhar. A experiência deveria ser vivida em igualdade com o espectador”, afirmou a diretora.

Como adquirir os ingressos?

Os ingressos para o Festival estão à venda pelo site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico).

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