Brace tem ancestralidade africana do moçambicano Edvaldo Ernesto no Festival de Curitiba

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba
Colaborou Felipe Rocha
Com um espetáculo marcado por ancestralidade africana e resistência, o artista moçambicano Edvaldo Ernesto, uma das vozes mais potentes da dança contemporânea, fez sua estreia no Brasil no Festival de Curitiba com a dança solo “Brace”, em aplaudida sessão neste domingo (5). Ele repete a apresentação nesta segunda (6) às 20h30 no Sesc da Esquina, seguindo para apresentações de 9 a 12 no Sesc Belenzinho em São Paulo e posterior turnê pelos Sesc do interior paulista. A dança é rica de estilos musicais e ritmos, com direito a tambores e beats, música tradicional moçambicana e música eletrônica de vanguarda. “Minha dança vem pra atualizar as tradições”, diz o bailarino.
O espetáculo busca subverter o rótulo que reduz a África a um continente subdesenvolvido, articulando ancestralidade e avanço tecnológico por meio do afrofuturismo. “O sistema internacional às vezes quer que a gente seja aquilo e apresente aquilo. Uma das minhas batalhas é sair dessa ideia de você é africano, então você tem que ser isso”, explica.
A pesquisa de Brace baseia na história dos Mwene Mutapa, dos Zulus e do povo Changana, que ocuparam os territórios dos atuais países Zimbabwe, Moçambique e África do Sul, formando sociedades com sistemas políticos, culturais e econômicos complexos, com tecnologias, espiritualidades e formas próprias de organização.
Edvaldo Ernesto fala mais sobre essa criação: “Quanto mais eu pesquisava, menos informações claras eu encontrava. Estava tudo borrado. Assim, surgiu a ideia de criar uma história, uma composição autoficcionada, só para tentar imaginar o que essas sociedades formam no lado mais pessoal e daí vou criar uma peça que envolve história, que é aquela que já existe, e memórias, que são o meu percurso.”
Para transmitir sua mensagem em cena, o artista utiliza quatro máscaras africanas que representam diferentes povos, enquanto o futuro se manifesta na luz, no som e no uso do corpo no espaço cênico, em diálogo com todos esses elementos.
Sobre Edvaldo Ernesto
Moçambicano radicado na Alemanha, Edvaldo Ernesto é bailarino, coreógrafo e professor, criador de um método próprio de improvisação baseado no “movimento em profundidade”. Iniciou sua trajetória na dança tradicional de Moçambique nos anos 1980 e, depois, passou a trabalhar com artistas de outros países africanos. Na década seguinte, estudou na Europa com David Zambrano e integrou a companhia Sasha Waltz & Guests, consolidando-se como um dos nomes de destaque da dança contemporânea.
*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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