Sucesso em Tremembé, Edu Rosa conta origem familiar nos canaviais no solo Sacarose na Funarte SP

Edu Rosa como Lindemberg Alves na série Tremembé © Stella Carvalho Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Com reportagem de FLORA CARNEIRO

Após sucesso ao interpretar Lindemberg Alves na série “Tremembé”, produção vencedora do Prêmio Arcanjo que conta histórias de criminosos famosos, o ator, dramaturgo e diretor Edu Rosa está volta aos palcos de São Paulo. Nesta quinra-feira, 2 de abril, ele entra em cartaz com o solo “SACAROSE” no Complexo Cultural Funarte SP. O espetáculo transforma a memória de sua família em denúncia sobre as relações de trabalho no Brasil.

Em conversa com a repórter Flora Carneiro para o site Miguel Arcanjo, Edu explica que a motivação para a peça nasce de sua própria trajetória: “Eu venho de uma família de pessoas que migraram e trabalharam nos canaviais, que passaram por situações de desconforto estrutural”, conta o artista.

Para ele, ocupar espaços culturais é um ato de afirmação: “Ainda que hoje eu seja um ator que frequenta espaços da elite artística paulistana, eu ainda sou filho de uma ex-cortadora de cana-de-açúcar. É uma oportunidade de me apresentar para o mundo”.

Em “SACAROSE”, a trajetória de seus familiares ex-boias-frias serve de base para como decide entrar em cena, explica, fazendo referência à capoeira. “Quando o capoeirista vai para a sua primeira roda, ele se apresenta. Para mim, essa peça apresenta não só a história da minha família, mas o jeito que eu vejo o teatro”, afirma Edu.

O espetáculo, que já rendeu ao ator prêmios de Melhor Espetáculo e Melhor Ator em festivais nacionais, foi inicialmente um texto publicado pela Editora da USP, mas que segue em constante mutação: “Fomos tirando a especificidade do texto e deixando-o mais expressivo, dramatúrgico, artístico, mais poético. A obra está viva e muda conforme o público muda”.

Edu Rosa em cena na peça SACAROSE © Joao Maria Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

O ator vê pontos de contato entre a peça e a série. “São dois projetos que falam sobre crimes, mas com perspectivas diferentes. SACAROSE trata de um crime social. Tremembé aborda crimes individuais. O ponto de conexão é a denúncia: de uma sociedade, de um sistema de trabalho e de um sistema carcerário”, reflete.

Sobre o desafio de viver Lindemberg Alves em “Tremembé”, personagem central de um dos casos de maior repercussão da história recente, já que seu personagem assassinou a namorada Eloá diante das câmeras ao vivo de TV, Edu destaca o recorte social que buscou imprimir: “O Lindemberg é o único personagem de classe social desfavorecida, o único pobre ali”.

Ele revela que o processo exigiu um olhar generoso para entregar as camadas do personagem sem o estigma do julgamento: “Foi muito difícil para mim, ator, não julgar esse personagem. Porque na série, o personagem precisa se defender.Tive que pensar em muitas camadas para não colocá-lo apenas como ‘o cara que cometeu o crime’. Foi um trabalho de muita paciência e generosidade comigo e com o trabalho mesmo para conseguir entregar”.

Para o futuro, Edu Rosa já prepara um documentário audiovisual que pretende levar a peça de volta às suas origens, que além de abordar o trabalho nos canaviais também se relaciona com o forró. “A proposta é documentar histórias que não foram documentadas. Além de cortar cana, a gente canta”, finaliza.

SERVIÇO
Espetáculo: SACAROSE
Local: Complexo Cultural Funarte São Paulo – Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo
Estreia: 02 de abril de 2026
Temporada: 02 a 19 de abril
Dias: quinta a domingo
Horários: quinta a sábado às 20h30 | domingos às 18h
Ingressos: R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia) | R$ 100 (ingresso apoiador)
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos

*Estudante de Jornalismo da Universidade Positivo sob supervisão de Miguel Arcanjo em parceria com a professora Katia Brembatti.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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