★★★★★ Crítica: Grupo Galpão é ovacionado no Festival de Curitiba com excelência de (Um) Ensaio sobre a Cegueira

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba
★★★★★
(UM) ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Avaliação: Excelente
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
O consagrado Grupo Galpão, verdadeiro patrimônio do teatro, costuma se apropriar de qualquer clássico que encene. Não é diferente em (Um) Ensaio sobre a Cegueira, em sessões esgotadíssimas no 34º Festival de Curitiba, onde se apresentou no seu velho conhecido Guairinha – que foi o último teatro no qual se apresentou na cidade a lendária Teuda Bara, que neste ano dá nome à sala de imprensa do evento ao lado do artista paranaense Maurício Vogue. Com o público curitibano se matando por uma entrada e ovacionando os artistas no palco e na calçada do Guairinha, o Grupo Galpão repetiu o sucesso de outras paragens, demonstrando sua excelência incontestável no teatro de pesquisa. Adaptar a distopia futurista do português José Saramago, o Prêmio Nobel de Literatura, é arriscado: como traduzir a prosa ensaística para a fisicalidade do palco sem perder sua alegoria crucial? Sob a direção e dramaturgia límpida do talentoso Rodrigo Portella, destaque na nova geração de diretores, a resposta mora no despojamento e na cumplicidade com o público alcançada pelos atores Antonio Edson, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Luiz Rocha, Lydia Del Picchia, Paulo André e Simone Ordones. Eles manipulam luz, som e objetos, na narrativa da misteriosa “cegueira branca”, metáfora ressignificada no mundo pós-pandemia. A inclusão do público no palco, inserido como novos cegos, é um golpe de mestre na quebra da quarta parede típica do teatro épico-dialético-brechtiano que o Galpão domina. A ótima direção musical de Federico Puppi cria potente ressonância sonora ao discurso. A encenação se estrutura como um ensaio permanente, uma busca pelo frescor do acontecimento teatral no calor do instante. No excelente espetáculo (Um) Ensaio sobre a Cegueira, o Grupo Galpão faz um teatro essencial e contundente, que convida à reflexão sobre os frágeis limites que separam o pacto civilizatório da barbárie.
Miguel Arcanjo mostra fotos da peça (Um) Ensaio sobre a Cegueira do Grupo Galpão pelo olhar do fotógrafo Maringas Maciel







*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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