Reparação comove Fetival de Curitiba com paralelo entre realidade e teatro 

Reparação faz sucesso no 34º Festival de Curitiba © Annelize Tozetto Festival de Curitiba Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba

Com reportagem de VICTOR STELLA

Nesta 34ª edição do Festival de Curitiba, a cidade recebeu nos dias 31/03 e 01/04 o espetáculo Reparação, sob direção de Carlos Canhameiro. Sucesso desta edição do maior evento das artes cênicas na América Latina, a obra é inspirada em um caso real de violência de uma jovem nos anos 1980. Apesar da distância temporal do ocorrido, a temática se faz mais presente do que nunca. No início coletiva de imprensa, Canhameiro revelou suas intenções com a peça: “A peça não é um documentário, não é uma denúncia, é uma tentativa de fazer teatro a partir das milhares de tragédias que o Brasil tem”.

Com o decorrer da coletiva, o elenco contou suas expectativas, medos e seus pontos de vista sobre a realidade que cerca o tópico misoginia neste ano de 2026. “Se olhar no passado, já haviam questões de feminicídio e do abuso contra mulher, e de repente a gente cai nesse nome ‘redpill’, até pouco tempo atrás estava começando a aparecer, com o cara do campari, e de repente temos crianças reproduzindo e falando isso […]. Então, de alguma forma mudou a mesma coisa”, fala Luiz Bertazzo, ator da peça e do filme vencedor do Oscar Ainda Estou Aqui.

Reparação faz sucesso no 34º Festival de Curitiba © Annelize Tozetto Festival de Curitiba Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Recentemente, a nova lei contra a misoginia foi aprovada pelo Senado, e esse foi um assunto muito discutido durante o encontro: “A sociedade é feita para o homem branco e hetéro, e desde sempre a mulher é odiada [..]” fala a atriz Fábia Mirassos, e ela acrescenta “[..] para mim é tão óbvio né? não precisava nem de lei. Aí você fala ‘porque precisa ter uma lei para uma coisa óbvia’, e que a gente sabe, porque desculpa, não sou nada otimista. A gente sabe que não vai mudar tanto, talvez para uma classe menos abastada não faça diferença nenhuma, porque as pessoas vão continuar sendo vítimas e outras continuar sendo livres [..]”. Ainda nessa questão, a atriz Nilcéia Vicente, acrescentou uma visão mais positiva “[..] A gente precisa da linha da lei para que a gente possa ter mecanismos, ferramentas, para realmente coibir ou pelo menos contra-por de alguma forma”.

Canhameiro acrescentou: “A peça não resolve nada, meu desejo utópico é falar de teatro, mas como o país não permite, temos coisas mais urgentes do que falar de teatro”. O diretor, também falou que gosta de acrescentar em meio aos palcos, coisas que mexem com o público, por isso na peça a manicure e a cabeleira são profissionais reais, além de atrizes, e elas tem a liberdade para tocar na cena. E encerrou demonstrando seu “não-otimismo” sobre as atuais mazelas da sociedade: “Me recuso a ser derrotado, e eu sou feliz porque tem gente que está comigo”. 

*Estudante de Jornalismo da Universidade Positivo sob supervisão de Miguel Arcanjo em parceria com a professora Katia Brembatti.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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