Festival de Curitiba tem retrospectiva fotográfica na exposição Entreolhares na PUC-PR

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Com reportagem de SANDOVAL MATHEUS
Um dos grandes destaques do Festival de Curitiba sempre foi a sua fotografia, produzida por profissionais renomados e talentosos do mercado. Pois agora este time ganha um destaque à altura da competência do trabalho de documentação histórica do teatro brasileiro que realizam. A exposição “Entreolhares: narrativas visuais do Festival de Curitiba” reúne uma seleção de mais de 80 fotos feita a partir do que foi produzido pelo olhar dos fotógrafos que cobriram as quatro últimas edições do evento. A entrada é gratuita no Centro Cultural da PUC-PR, a partir desta quinta-feira, 26/03, às 18h30, onde a mostra fica aberta à visitação pública até 26 de maio, sob patrocínio da Chamex. A curadoria é de Annelize Tozetto, que há 16 anos cobre o maior evento de artes cênicas da América Latina, e que desde o ano passado coordena a equipe de fotógrafos do Festival, substituindo Daniel Sorrentino, que ficou 19 anos na função e atualmente mora em Portugal.

Retomada
O recorte temporal da exposição coincide com a volta do Festival aos seus moldes tradicionais, em 2022, depois de uma pausa de dois anos por conta da pandemia de Covid-19.
“Naquela época, quando o Festival foi cancelado, a gente não tinha a dimensão do quanto a vida no planeta ia ficar estacionada e de quantas pessoas morreriam”, relembra Annelize.

“Então, essa exposição é pra marcar nosso reencontro. É uma celebração da vida, e de como a arte está sempre presente nela. Até porque o teatro, a cultura em si, também se renovou de alguma maneira naquele período.”
Foi esse o conceito que norteou os critérios da curadoria.

“A gente queria enfatizar muito essa coisa do encontro. O encontro nos bastidores, nos camarins, o encontro do público com a peça, o encontro do fotógrafo com o espetáculo”, explica.
“E mostrar que a gente não faz teatro sozinho. O Festival não se faz sozinho. A fotografia no teatro também tem muita gente envolvida. O resultado da sua foto envolve o trabalho de outras pessoas: do artista, do iluminador, do cenógrafo, do figurinista, do maquiador”, pontua.

Arquivo grandioso
O arquivo a ser triado era imenso. Só no ano passado, a equipe de fotógrafos do Festival de Curitiba, formada por dez profissionais, produziu mais de 16 mil instantâneos. “O Festival foi escolhido porque, além de ter um acervo incrível, por si só é um grande encontro de muita gente boa de tantos outros lugares”, diz Douglas Moreira, gerente da PUC-PR Cultura.
O processo de seleção ainda tomou cuidado para não incluir nenhuma imagem que pudesse interferir na classificação indicativa da exposição. “Fucei ano por ano, mais de uma vez”, brinca Anne, como é carinhosamente chamada. “É uma exposição aberta, para todos os públicos. É o resultado de um trabalho coletivo. Ela lembra que na vida a gente não faz absolutamente nada sozinho.”

Foto prefetrida
A exibição inclui uma das fotos prediletas de Annelize em seus 16 anos de casa, tirada durante uma das sessões de “Ana Lívia” – espetáculo escrito pelo curitibano Caetano Galindo – em 2024, no Teatro da Reitoria.
Nela, as atrizes Bete Coelho e Georgette Fadel aparecem abraçadas, de pé sobre uma grande mesa, no exato momento em que são atingidas por um grande bloco de água que despenca do teto. O líquido brilha por conta da iluminação, contrastando com o breu do restante do cenário.
“Eu estava fotografando, e a luz de cena mudou de repente”, conta Anne. “Uma das perguntas que mais me fazem é se a gente assiste às peças antes pra saber o que vai estar fotografando. Nem sempre, ou quase nunca. Essa foto mesmo aconteceu quase no susto. Depois eu nem editei.”
SERVIÇO
Entreolhares: narrativas visuais do Festival de Curitiba
Centro Cultural da PUC-PR – Rua Imaculada Conceição, 1155 – Prado Velho, Curitiba, PR
Abertura: Quinta-feira, 26 de março, às 18h30. Exposição em cartaz até 26/5/2026
Entrada gratuita
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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