Larissa Noel faz primeira protagonista de musical como Zezé Motta em Prazer, Zezé: ‘A arte me escolheu’

Larissa Noel como Zezé Motta em “Prazer, Zezé” © Priscila Prade Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Com reportagem de FLORA CARNEIRO

Da Brasilândia para o posto de grande estrela dos palcos no Brasil. A atriz Larissa Noel vive um grande desafio em sua carreira: pela primeira vez é protagonista de um musical. A partir desta sexta, 20 de março, no Teatro Raul Cortez do Sesc 14 Bis, na Bela Vista, em São Paulo, ela dá vida à grande artista brasileira Zezé Motta no musical “Prazer, Zezé”. O espetáculo autoral celebra a trajetória da atriz e cantora com 60 anos de carreira e que foi homenageada nesta semana no Prêmio Shell.

Aos 29 anos, Larissa Noel encara com alegria a nobre missão e afirma que o projeto é o divisor de águas de sua carreira. Ao falar da estrela que representa, explica a Miguel Arcanjo que, ao estudar artistas negros brasileiros, “não tem como não ser atravessada por Zezé”, icônica atriz que esteve em espetáculos históricos como Roda Viva e Arena Conta Zumbi nos anos 1960 e que protagonizou o filme Xica da Silva, de Cacá Diegues, em 1976, além de ter sido pioneira em personagens negras de classe média em novelas como Corpo a Corpo, de 1984, e A Próxima Vítima, de 1996, na Globo.

Larissa Noel como Zezé Motta em “Prazer, Zezé” © Priscila Prade Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Nascida na Brasilândia, bairro da zona norte de São Paulo, a caçula de quatro irmãos acredita que sempre foi artista, mesmo antes de se dar conta disso.

Aos 7 anos, já reunia os primos para ensaiar coreografias que montava para apresentar à família. O início foi como hobby no Ministério de Dança da igreja e em projetos governamentais.

“A Larissa que sou hoje é graças às Casas de Cultura. Se não fossem esses projetos gratuitos, eu poderia ser enfermeira”, afirma, ao refletir sobre o peso da formação artística pública em sua trajetória e o espaço elitizado que o teatro musical ainda ocupa no Brasil.

A atriz Larissa Noel é destaque em Cabaret Kit Kat Club no 033 Rooftop em 2024 © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2024

Foi em uma montagem amadora de “Hairspray”, em 2013, seu primeiro musical, que ela compreendeu sua paixão. “Ali eu entendi que queria fazer musical. Olhei para a plateia e aquilo me pegou fortemente”, recorda.

Em 2024, Larissa retornou ao mesmo espetáculo e personagem, mas dessa vez na montagem oficial da Broadway no Teatro Renault.

“Chorei nos primeiros ensaios com a orquestra. Foi como abraçar aquela menina de 16 anos que não sabia o que era o mercado, mas sentia que o palco era sua casa”, recorda.

Larissa Noel como Zezé Motta em “Prazer, Zezé” © Priscila Prade Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

“A arte me escolheu.”
Larissa Noel

Essa trajetória profissional só foi possível após uma reviravolta acadêmica. Bolsista integral do ProUni em Enfermagem, Larissa perdeu o benefício por uma diferença de 0,5 ponto e uma pendência burocrática.

Em um momento no qual não aguentava mais ficar longe da arte, mas não tinha coragem de abandonar a faculdade, o destino interveio.

“A arte me escolheu. Eu tive que bater o pé e falar: ‘Não, eu quero ser atriz'”, conta a artista que, no mesmo ano, conseguiu uma bolsa de estudos em uma escola de teatro musical.

Zezé Motta e Larissa Noel: história das duas atrizes se cruzam em Prazer, Zezé © Juliano Simões Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Para o espetáculo atual, Larissa mergulhou em profundas pesquisas, entrevistas, biografias e na vasta discografia de Zezé Motta.

“O que mais me chocou foi a quantidade de discos e músicas gravadas que ela tem. Todo mundo tem que saber que, além de atriz, a Zezé é uma cantora de voz linda”, destaca.

Esse processo mudou a percepção de Larissa sobre si mesma: “A Zezé me fez confiar e acreditar no meu timbre, que é muito parecido com o dela. Ela me fez abraçar minha potência enquanto cantora”, avalia.

Ao interpretar Zezé Motta, Larissa nota semelhanças que encontrou na veterana. Durante a entrevista a Miguel Arcanjo, destacou como os caminhos se cruzam: a resistência da família, a busca por referências negras na televisão e claro, não indo nesse padrão da “voz de princesa”, um padrão técnico que muitas vezes ignora a fonética brasileira.

Com 15 musicais no currículo, passando por sucessos da Broadway como “Cabaré”, “Dreamgirls” e “A Cor Púrpura”, além de histórias brasileiras como “Cartola” e “Dona Ivone Lara”, e agora “Prazer, Zezé”, a atriz finaliza: “Obviamente, quando existe uma brasilidade, quando a gente entende a identidade do teatro musical brasileiro, isso nos atravessa de forma diferente”.

Será um enorme prazer ver Larissa Noel brilhar no palco como Zezé Motta.

SERVIÇO

“PRAZER, ZEZÉ! O MUSICAL”
Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez – Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar – Bela Vista, São Paulo Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 – Verde) Telefone: (11) 3016-7700 
Temporada
De 20 de março a 21 de abril de 2026
Horários
Quintas, às 15h e 20h
Sextas e sábados, às 20h
Domingos e feriados, às 18h
Dia 1/04 quarta 20h
Dia 21/04 terça 20h
Não haverá sessão em 03 de abril
Sessões com tradução em Libras: 9 a 12/04, quinta 15h e 20h, sexta e sábado 20h, domingo 18hSessões com audiodescrição:  11/04, 20h; 12/04, 18h
Classificação 12 anos
Ingressos
R$ 70 inteira
R$ 35 meia-entrada
R$ 21 credencial plena

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A atriz Larissa Noel no Prêmio Bibi Ferreira 2024 – 11ª Edição no Teatro Santander © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2024

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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