★★★★ Crítica: Ópera do Malandro – Musical mistura sagrado e profano com deliciosa brasilidade

José Loreto, o Max Overseas Navalha, celebra sucesso de Ópera do Malandro – Musical no Teatro Renault © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

★★★★
ÓPERA DO MALANDRO – MUSICAL
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sextas às 21h, sábados às 17h e 21h, domingos às 15h e 19h. Até 15/3/2026
Teatro Renault, SP – Compre seu ingresso!

O imponente Teatro Renault, habituado às importações da Broadway, é deliciosamente invadido por nossa malandragem. Sob a direção inventiva de Jorge Farjalla e cuidadosa produção dos irmãos Marco Griesi e Daniella Griesi, a nova montagem de Ópera do MalandroMusical, de Chico Buarque, mergulha nas vísceras do Brasil, transformando sincretismo em estética. Farjalla, com olhar de farta personalidade, utiliza elementos da umbanda para retratar a boemia carioca. O malandro Max Overseas, vivido por um intenso José Loreto, dança entre o asfalto e o terreiro como um Exu urbano. A trama, um emaranhado de bordéis, corrupção policial e arranjos por conveniência, ressoa atual. O triângulo formado pelo casal Duran e Vitória Régia, os irretocáveis Ernani Moraes e Totia Meireles, e o delegado Chaves, o entregue Amaury Lorenzo, espelha a sociedade que faz do golpe seu cotidiano. A inventiva direção musical de Gui Leal confere novas atmosferas às canções. A cenografia de Chris Aizner e os figurinos de Farjalla e Ùga Agú se somam ao visagismo de Simone Momo em um conjunto barroco ressaltado pela ótima luz de Gabriele Souza. Leilane Teles cria coreografia repleta de nossas matrizes. Mas, o destaque vai para a Geni de Valéria Barcellos, aplaudida de pé em cena aberta, por conta da dignidade trágica que impõe à personagem, transformando o “joga pedra na Geni” em momento histórico de representatividade trans, somada a Marina Mathey, também atriz trans, com quem constrói a mais bela cena do musical. É preciso ressaltar Carol Costa e Ana Luiza Ferreira, que equilibram deboche e técnica, e o talentoso coro. Ópera do Malandro – Musical faz o palco virar espelho das ruas e encruzilhadas, misturando o sagrado e o profano, como só o Brasil é capaz de fazer.

★★★★
ÓPERA DO MALANDRO – MUSICAL
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sextas às 21h, sábados às 17h e 21h, domingos às 15h e 19h. Até 15/3/2026
Teatro Renault, SP – Compre seu ingresso!

Miguel Arcanjo mostra imagens exclusivas dos bastidores de Ópera do Malandro – Musical no Teatro Renault

O elenco de Ópera do Malandro – Musical conta com José Loreto (Max Overseas Navalha), Carol Costa (Teresinha), Totia Meireles (Vitória Régia), Ernani Moraes (Fernandes de Duran), Amaury Lorenzo (Tigrão/Chaves), Valéria Barcellos (Geni), Andrezza Massei (Lúcia), Ana Luiza Ferreira (Fichinha), Isaac Belfort (Barrabás), Marya Bravo (Dóris Pelanca/Cover Vitória Régia), Mateus Ribeiro (Phillip Morris/Cover Barrabás), Patrick Amstalden (Johnny Walker/Cover Max Overseas Navalha), Larissa Grajauskas (Jussara Pé de Anjo/Cover Teresinha), Paulo Viel (Big Ben/Cover Tigrão/Chaves), Marina Mathey (Dorinha Tubão/Cover Geni), Rafael Machado (General Electric/Cover Duran), Carol Botelho (Mimi Bibelô/Cover Lúcia), Giu Mallen (Shirley Paquete/Cover Fichinha), Preta Ferreira (Nêga Saliva/Ensemble), Dai Ribeiro (Telma Sanfona/Swing) e Dion Seabra (Dealer/Swing).

Texto: Chico Buarque, Rita Murtinho, Marieta Severo, Luiz Antônio Martinez Correa, Maurício Sette e
Carlos Gregório. Músicas: Chico Buarque. Direção Geral, Encenação e Adaptação: Jorge Farjalla. Direção Musical: Gui Leal. Arranjos Originais: Gui Leal, Daniel Alfaro e Roniel de Souza. Direção Coreográfica: Leilane Teles. Cenografia: Chris Aizner. Aderecista e Produção de Objetos: Clau Carmo. Figurinos: Jorge Farjalla e Ùga Agú. Visagismo: Simone Momo. Designer de Luz: Gabriele Souza. Designer de Som: Randal Juliano. Direção de Arte: Kelson Spalato. Fotografia: Priscila Prade. Assistente de Direção e Direção Residente: Dani Calicchio. Maestro e Arranjos Originais: Gui Leal. Piano 1, 2º Regente e Arranjos Originais: Roniel de Souza. Piano 2: Camila Brioli. Percussão e Arranjos Originais: Daniel Alfaro. Bateria: Vinícius Teixeira. Baixo, violão e cavaco: Marcelo Brandão. Violão, guitarra e banjo brasileiro: Rogério Sales. Bandolim, violino e banjo tenor: Thiago Brisolla. Reed 1 (clarinete, sax alto e flauta): Flávio Rubens. Reed 2 (clarone, clarinete e flauta): Claudia Montin.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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