★★★★ Crítica: Aqui, Agora, Todo Mundo aborda dor da solidão gay de modo poético e sensível

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
★★★★
AQUI, AGORA, TODO MUNDO
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sáb, Dom e Seg, 19h. Até 01/03/2026
Teatro Sérgio Cardoso – Compre seu ingresso!
Não é fácil ser um jovem gay em São Paulo. E olha que a metrópole costuma ser um refúgio de liberdade para os saídos do armário dos mais diversos rincões do Brasil e do mundo. Mas, traumas do passado e uma instistente solidão do presente podem desastibilizar tudo. É o que a gente percebe em Aqui, Agora, Todo Mundo, tocante espetáculo solo com Felipe Barros dirigido por Heitor Garcia, com quem escreveu a dramaturgia não-linear a partir do confessional livro homônimo de Alexandre Mortagua, artista do audiovisual e da palavra que é filho do ex-jogador Edmundo, conhecido como O Animal, e da ex-modelo Cristina Mortagua, casal-sensação da década de 1990, e que carrega as dores e delícias de ser quem se é. No palco, as confissões de uma alma em ebulição ganham aguçada poética que rebate no público, presente no tablado e em jogo constante com o artista, na inventiva direção de Garcia. Não à toa, o espetáculo foi vencedor do Coelho de Prata no Festival Mix Brasil. Vemos um homem gay diante do precipício da própria existência. Barros, em uma atuação que equilibra a técnica e a entrega visceral, transforma seu corpo em um mapa de cicatrizes e desejos. O público, em um exercício de voyeurismo participativo, molda a ordem das memórias, tornando cada sessão única. Outro trunfo é a trilha eletrônica de Jaloo, com sua modernidade líquida decupada pela DJ Agatha, norteando a narrativa fragmentada, assim como a ótima luz de Rodrigo Pivetti. Em tempos de conexões efêmeras e telas que isolam, o personagem é um espelho necessário. Aqui, Agora, Todo Mundo nos recorda que a saúde mental não é um tabu hermético, mas uma construção coletiva. É teatro que cumpre sua função primordial: ser o palco no qual encaramos o abismo do outro para poder reconhecer nossas vertigens. Sobreviver é preciso.
★★★★
AQUI, AGORA, TODO MUNDO
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sáb, Dom e Seg, 19h. Até 01/03/2026
Teatro Sérgio Cardoso – Compre seu ingresso!















AQUI, AGORA TODO MUNDO
Ficha Técnica
Inspirado no livro Aqui agora todo mundo
Texto, Dramaturgia e Atuação: Felipe Barros
Direção e Dramaturgia: Heitor Garcia
Assistente de direção: Mayara Dornas
Preparação do Ator: Mayara Dornas e Estrela Strauss
Produção: Jess Rezende
Desenho de Luz: Rodrigo Pivetti
Som: DJ Agatha
Trilha Sonora: Jaloo
Cenografia: Marco Paes
Cenotécnico: Marcio Espirro
Assistente Cenotécnico: Pedro Anthony
Figurino: Heitor Garcia e Felipe Barros
Visagismo: Keyla Issobe
Arte: João Rigoni e Nítido + Felipe Barros + Heitor Garcia + Alexandre Mortagua
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio e Vira Comunicação
Redes Sociais: Pedro Graneiro
Tráfego Pago: Lead Perfomance
Fotos: Kim Leekyung
Produção Executiva: Felipe Barros, Heitor Garcia.
Realização: Malisgüe Produções
Aqui, Agora, Todo Mundo
Temporada: 24 de janeiro a 1º de março de 2026 (exceto nos dias 12 a 15/2)*
Aos sábados, domingos e segundas-feiras, às 19h.
*Dias 2, 9 e 23 de fevereiro – Roda de conversa com convidados após o
espetáculo.
Teatro Sérgio Cardoso – R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo
Ingressos: R$ 80 (inteira) R$ 40 (meia-entrada)
Lista Trans Free: envie e-mail para [email protected]
Vendas online em Sympla
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos.
Capacidade: 144 lugares
Instagram: @aquiagoratodomundo
Sobre Felipe Barros
Felipe Barros é ator, dramaturgo e produtor com mais de 20 anos de atuação na cena cultural brasileira. Iniciou sua carreira ainda criança e, desde então, construiu uma trajetória marcada por versatilidade artística, profundidade temática e comprometimento com projetos autorais. Formado pelo Núcleo de Artes Cênicas do SESI/SP e pela Universidade Anhembi Morumbi, com experiências relevantes pelo Grupo Gattu – que lhe rendeu indicação ao antigo Prêmio Coca-Cola Femsa, o Theatro Municipal de SP e a produtora Naveia Filmes, o ator se destaca pela capacidade de desenvolver projetos autorais, unindo técnica e emoção em trabalhos que provocam reflexão e empatia. Nos palcos, conquistou reconhecimento em produções como Esse Maldito Fecho-Éclair, indicada a melhor comédia do Prêmio Arcanjo de Cultura 2024, e emocionou o público como Jesus Cristo na ópera Cavalleria Rusticana, no Theatro Municipal de São Paulo. No cinema, atuou em Todos Nós 5 Milhões, disponível no Globoplay, Angela, de Hugo Prata e em RG, vencedor no Festival de Cine de Iquique, no Chile. Também participou das séries Zé do Caixão, Rio Heroes e Ainda 70, consolidando sua presença em diferentes linguagens e formatos. É fundador da Malisgüe Produções, produtora dedicada à criação de obras com impacto social e poético. Sua atuação atravessa teatro, audiovisual e literatura, com foco em narrativas que provocam reflexão, empatia e transformação.
Sobre Heitor Garcia
Heitor Garcia estreia sua primeira direção solo com o espetáculo “Aqui, agora, todo mundo!”, após co-dirigir, ao lado de Ricardo Grasson, os consagrados espetáculos “The Boys in the Band – Brasil”, “Irineu”, “Esse Maldito Fecho-Éclair”, “A Mulher da Van” (com Nathalia Timberg) e “Drácula – Um Terror de Comédia” (com Tiago Abravanel). Atuou como assistente de direção nos espetáculos “Somos Tão Jovens” – finalista do Prêmio Aplauso Brasil –, “O Ovo de Ouro” e “O Bem-Amado Musicado”. É fundador da produtora NOSSO Cultural, que já produziu mais de 40 espetáculos.
Editado por Miguel Arcanjo Prado
Avaliações críticas:
★ Fraco
★★ Regular
★★★ Bom
★★★★ Muito Bom
★★★★★ Excelente
Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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