Ópera O Amor das Três Laranjas volta ao Theatro Municipal

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
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A ópera O Amor das Três Laranjas (L’Amour des Trois Oranges), de Sergei Prokofiev foi destaque em 2022 e volta ao Theatro Municipal de São Paulo no dia 27 de fevereiro (sexta-feira), às 20h, com sessões às 17h (sábados e domingos) e às 20h (terças, quartas e sextas-feiras), na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal. O espetáculo é marcado pela concepção do ator e encenador Luiz Carlos Vasconcelos, cujas passagens incluem telas e palcos brasileiros, além da direção cênica de Ronaldo Zero e direção musical de Roberto Minczuk.
Essa divertida ópera de Prokofiev possui uma trama cômica e de origem bastante complexa, trazendo um conto do século XVII originalmente escrito por Giambattista Basile, porém com a adaptação para a linguagem teatral sob a assinatura de Carlo Gozzi, um século depois. L’Amour des Trois Oranges ainda passou a ser traduzida para o russo e francês pelo próprio compositor e por Vera Janacópulos, soprano brasileira de primeira importância em sua época por divulgar na Europa nomes como Villa-Lobos.
Os fãs do realismo fantástico devem se divertir com a narrativa, que conta a saga de um Rei para curar a melancolia de seu filho. Com esse objetivo, ele convoca uma série de atividades para entretê-lo, apresentadas por personagens oriundos da Commedia dell’Arte, magos, bruxas e uma musicalidade radiante entre a tradição russa e a tradição romântica.
Andrea Caruso Saturnino, diretora geral do Complexo Theatro Municipal, diz que “é muito importante que uma casa de ópera como o Theatro Municipal de São Paulo seja capaz de remontar os sucessos de temporadas anteriores. Além de aproveitarmos grande parte do que já integra o nosso acervo, as remontagens conferem sobrevida às concepções artísticas e permitem que as obras tenham uma segunda oportunidade de encontro com o público”.
Ronaldo Zero analisa que a montagem se trata menos de refazer e mais de reativar. “Um dos eixos centrais da obra é a chamada “guerra de linguagens”: a disputa entre Trágicos, Cômicos, Alienados e Românticos pelo controle da narrativa. “O grande desafio em 2026 é manter a montagem viva, fresca e pulsante em um mundo onde tudo se torna obsoleto muito rapidamente. Ao mesmo tempo, há o prazer de retornar a uma montagem que conheço profundamente, que ajudei a construir e que continua oferecendo novas camadas de leitura. O Amor das Três Laranjas segue atual justamente porque se recusa a ser estável”, explica o diretor cênico.
Roberto Minczuk, que assina a direção musical do espetáculo, afirma que a orquestra tem um papel protagonista nesta ópera. “A escrita de Prokofiev, considerado um gênio da criatividade e da instrumentação, é sempre a de uma composição que narra a história em seus mínimos detalhes. O Amor das Três Laranjas é tão sinfônica que a parte mais memorável, a que mais se conhece, não é nenhuma grande ária ou grande coro, como costuma acontecer, e sim a famosa marcha sinfônica, o tema mais conhecido de toda ópera, que é puramente sinfônico e instrumental”, conclui.
Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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