O Retorno tem família disfuncional com Helena Ranaldi, Pedro Waddington e Leonardo Medeiros

O Retorno estreia no Sesc Santana © Edson Kumasaka Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

A imobilidade doméstica é o terreno fértil onde Fredrik Brattberg planta sua mais recente e inquietante provocação. No palco do Sesc Santana, a estreia de O Retorno nesta sexta-feira, 30 de janeiro, desdobra-se não como um drama familiar convencional, mas como uma sonata matemática sobre a redundância do afeto e a fragilidade do luto. Sob a direção de José Roberto Jardim, a narrativa acompanha um casal — interpretado por Helena Ranaldi e Leonardo Medeiros — cujo filho, outrora morto, reaparece à porta, interpretado por Pedro Waddington. A direção de produção é de Cícero de Andrade, da Mosaico Produções.

O que se segue é uma trajetória de contornos suntuosos e sádicos: o ciclo de desaparecimento e volta do rapaz desafia a lógica da perda, transformando a dor em uma farsa rítmica. Brattberg, compositor de origem, estrutura o texto com o rigor de uma partitura erudita, onde a repetição não busca a ênfase, mas a erosão do sentido.

A cada novo toque de campainha, a fachada de harmonia da família contemporânea descama-se, revelando uma hipocrisia eivada de cinismo. É um espetáculo que busca estética meticulosa, onde o cenário quer transbordar uma atmosfera ao mesmo tempo opressora e refinada, questionando até que ponto somos capazes de suportar o objeto de nosso suposto amor.

O Retorno cumpre temporada de 30 de janeiro a 1º de março, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h (sessões extras em fevereiro) no Sesc Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579), com ingressos a R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 18 (credencial plena) e classificação indicativa de 12 anos.

Editado por Miguel Arcanjo Prado

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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