Ilú Obá De Min faz Ópera Negra Obaomin no Carnaval de São Paulo 2026

Ilú Obá De Min emociona o Carnaval de São Paulo com a cultura negra © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2025

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

O Bloco Afro Ilú Obá De Min retorna às ruas de São Paulo  com a Ópera Negra Obaomin – A Soberania de Yemanjá Ogunté no Carnaval 2026, sob o enredo “Ifátinuké – Iyá-Olobá do Axé Transatlântico”, uma ‘femenagem’ à vida e ao legado de Ifátinùké, também conhecida no Brasil como Inês Joaquina da Costa, importante sacerdotisa africana cuja trajetória simboliza os fluxos transatlânticos de saberes, espiritualidade e organização política do povo iorubá. Reafirmando o carnaval como espaço de celebração, memória e revolução cultural, os cortejos acontecem em fevereiro, na sexta-feira (13/2), abrindo oficialmente o Carnaval de Rua de São Paulo, às 20h, com saída da Praça da República; e no domingo (15/2), às 14h, a saída acontece em frente a Cia Livre (Rua Conselheiro Brotero, 195, Barra Funda). 

Ao todo, cerca de 400 integrantes conduzirão uma potente riqueza sonora, que transita pelas tradições dos afoxés e dialoga com ritmos da cultura popular, como o maracatu e o coco de roda. 

Ilú Obá De Min © Rafa Marques Blog do Arcanjo 2025

Ópera Negra Obaomin – A Soberania de Yemanjá Ogunté, se materializa em um grande coro ancestral, formado por 99 agogôs, 58 xequerês, 71 djembês e 91 alfaias, sob a regência das mestras Beth Beli, Girlei Miranda e Adriana Aragão, 37 dançantes do Ayê, 15 pernaltas do Orun, 12 vozes cantando a oralidade, e cuidada por uma Harmonia com 44 integrantes, garantindo o movimento coletivo do bloco. 

“A Ópera Negra nasce desse gesto de iluminar as memórias das mulheres de terreiro e reafirmar os terreiros como espaços de pertencimento, reconstrução comunitária e resistência. Guiada pela soberania de Yemanjá, essa Ópera é continuidade histórica, fabulação ancestral e travessia: na sexta-feira, dia 13, a Ilú Obá vai aguar São Paulo com águas enraizadas de África”, contou a diretora artística Mafalda Pequenino.

Ilú Obá De Min © Maneco Guimarães Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Durante os cortejos, haverá o Abre-Alas, “As Mantenedoras do Axé”, trazendo como convidadas as mães de santo, yalodês, lideranças quilombolas e irmandades. “Nós vamos falar da história dessas mulheres que estiveram à frente da luta das aberturas das casas de candomblé e que firmaram o matriarcado africano. Ifatinuké ressignificou essa organização matriarcal africana em terras brasileiras que é o que nos mantém vivas, que é o que mantém a sociedade afro-brasileira em pé”, completou Mafalda Pequenino, diretora artística da Ilú Obá De Min. 

Pelo terceiro ano consecutivo, o Coletivo Coletores, apresenta uma variedade de linguagens visuais e tecnológicas, unindo arte e território por meio de projeções, em diálogo com a Sirius Drones, responsável pela cobertura aérea e transmissão do desfile. 

Ilú Obá De Min © Maneco Guimarães Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Ifátinùké / Tia Inês  – oriunda de Oyó, um dos mais poderosos reinos da atual Nigéria, Ifátinùké pertencia ao povo Egbá, fundador da cidade de Abeokuta. Africana liberta, desembarcou no Brasil em 1870, chegando por Salvador e seguindo para Recife, onde se estabeleceu inicialmente no bairro de São José. Dois anos depois, fundou o Terreiro Iemanjá Ogunté Obaomin, casa matriz do culto iorubá-nagô/Xangô em Pernambuco, dedicada à soberana das águas, Iemanjá, e referência fundamental na formação das religiões de matrizes africanas no país.

Conhecida como Tia Inês, Ifátinùké foi uma exímia matriarca, liderança religiosa, política e comunitária. Guardiã do culto aos ancestrais, deixou um legado profundo de axé, fortalecendo a centralidade do matriarcado nagô e o protagonismo feminino na constituição do sagrado afro-brasileiro. Mesmo sem filhos consanguíneos, adotou e formou descendentes espirituais e familiares, perpetuando sua linhagem e sua obra. Sua passagem para o Orun ocorreu em 1919, e o terreiro que fundou — hoje conhecido como Sítio do Pai Adão — celebra 150 anos de existência, sendo um dos mais antigos em atividade no Brasil.

Ilú Obá De Min © Maneco Guimarães Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Ilú Obá De Min –  Educação, Cultura e Arte Negra é uma associação paulistana sem fins lucrativos que tem como base o trabalho com as culturas de matriz africana, afro-brasileira e a mulher negra. É um ecossistema afrocentrado. 

Um dos principais projetos é o Bloco Afro Ilú Obá De Min que, há 21 anos, abre o carnaval de rua de São Paulo. Fundado pelas artistas Beth Beli, Girlei Miranda, Nega Duda e Adriana Aragão em novembro de 2004, o bloco reúne um coletivo de cerca de 400 integrantes em sua bateria e corpo de dança.

Ficha Técnica

Fundadoras: Elisabeth Belisario,  Girlei Miranda, Adriana Aragão e Nega Duda
Direção Musical: Elisabeth Belisario
Direção Artística: Mafalda Pequenino
Direção Financeira: Teresa Teles
Direção Executiva: Daiane Pettine
Direção AfroComoslógica: Nega Duda
Lideranças Carnaval:  Cibelle de Paula, Christiane Gomes, Janaína Cunha, Nega Duda, Govinda Lilamtra, Daiane Pettine, Giselle de Paula, Cris Blue, Aretha Santos, Maira Borges, Maria Vasconcelos, Barbara Magalhanis, Teresa Telles, Daniela Apolinario, Sandra Lima e Fernanda Aguiar.
Figurino: Cleo Dias
Comunicação: Kelly Santos e Talita Beltrame
Produção: Encantarias
Apoio e Consultoria: Rosi Belisario
Direção Harmonia: Cassia Leal da Hora, Denise Alves, Helena Teixeira, Elisete Jeremias, Mell Menezes e Luciana Braga

Ilú Obá De Min © Maneco Guimarães Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Serviço 

Bloco Afro Ilú Obá De Min – Carnaval 2026

Data: 13/02/2026 – sexta-feira Horário: às 20h Local: Saída da Praça da República, República, São Paulo

Data:15/02/2026 – domingo  Horário: às 14h Local: Em frente da Cia Livre – Rua Conselheiro Brotero, 195, Barra Funda, São Paulo

Ilú Obá De Min © Maneco Guimarães Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Editado por Miguel Arcanjo Prado

Siga @miguel.arcanjo

Ouça Arcanjo Pod

Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
© Blog do Arcanjo por Miguel Arcanjo Prado 2025 | Todos os direitos reservados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *