★★★ PAIOL VELHO Avaliação: Bom Crítica por Miguel Arcanjo Prado
O Brasil é um país sem memória. E isso não é de hoje. Tanto que o autor da peça Paiol Velho, montada em 1951 no histórico TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, morreu triste, justamente pela falta de reconhecimento. Agora, 73 anos após sua estreia, a obra ganha vigorosa remontagem do propositivo Ricardo Brighi no lendário Teatro Maria Della Costa, em São Paulo, em uma espécie de homenagem póstuma ao dramaturgo Abílio Pereira de Almeida (1906-1977), ícone do TBC, berço do teatro nacional. A peça tem clima de folhetim e narra a disputa por terras entre empregados e patrões no interior paulista, mais precisamente a fazenda Paiol Velho, tendo como pano de fundo um amor impossível, com suas viradas dramáticas. Estão presentes os tipos característicos do interior paulista cafeeiro do começo do século 20. O elenco tem evidente dedicação e entrega aos personagens. O matuto Júlio Sbarrais se destaca como o protagonista Tonico, o empregado que sonha em ser senhor de terras, enquanto que a elegante Jussara Nascimento é Lina, sua desgostosa mulher. O enérgico Davi Bósio vive o herdeiro esbanjador e mergulhado na jogatina, para desgosto da mãe, a proprietária de terras Dona Mariana, interpretada com o necessário vigor por Jéssica Fioramonte, sempre amparada pela altivez de Dr. Afonso, papel de Ricardo Brighi. Ainda estão em cena Jorge Pitta, Kliferson Ressurreição, Guilherme Vendramim, Leobina BezerraeLeo Nogueira. Chama a atenção a cenografia coletiva, que nos remete ao mobiliário das velhas fazendas, e para os figurinos de época de Leo Nogueira e o visagismo de Jorge Pitta. Ainda estão no time criativo Agnaldo Nicoleti na iluminação e Vinicius Alves na trilha sonora original. Paiol Velho é um retrato de um tempo que passou, mas que deixou marcas indeléveis e altamente perceptíveis em nossa sociedade. Conhecer o passado é fundamental para construir algum futuro. Ricardo Brighi e seu time de artistas apaixonados pelo teatro estão de parabéns.
★★★ PAIOL VELHO Avaliação: Bom Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Sexta e sábado, 20h. No Teatro Maria Della Costa – Rua Paim, 72, São Paulo, SP. R$ 30 a R$ 60.Até 2/11/2024.
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