80 anos de Phedra D. Córdoba são celebrados com peças e exposição

Phedra D. Córdoba no lançamento do filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, em São Paulo, em agosto de 2015 – Foto: André Stéfano

Nascida em Havana em 26 de maio de 1938, a atriz cubana Phedra D. Córdoba completaria 80 anos neste sábado (26). A data será celebrada nos próximos 12 meses na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, onde ela foi diva absoluta. A comemoração já conta com dois espetáculos, um histórico e um inédito: a reestreia no fim de junho da peça “Transex”, escrita e dirigida originalmente por Roldofo García Vázquez em 2004 com o grupo Satyros, e a estreia do espetáculo inédito “Entrevista com Phedra”, de Miguel Arcanjo Prado e direção de Juan Manuel Tellategui, no segundo semestre — ambas no Espaço dos Satyros 1, na Praça Roosevelt.

Ainda haverá uma grande exposição sobre Phedra e uma ação especial no festival Satyrianas. Também é aguardada a volta do show “Phedras por Phedra”, capitaneado pelos artistas e amigos Cléo De Páris, Maria Casadevall, Paula Cohen, Robson Catalunha e Gero Camilo. O jornalista e crítico teatral Miguel Arcanjo Prado, colunista do UOL, ainda pretende começar durante as comemorações as pesquisas para o livro biográfico da atriz — antes de sua morte, Phedra pediu ao jornalista que se encarregasse de seus diários íntimos, atualmente sob a guarda da atriz Maria Casadevall.

Com trajetória iniciada com a dança em Havana e com passagem pelo teatro de revista de outros países da América Latina, entre eles a famosa cena teatral de Buenos Aires, Phedra D. Córdoba fez história nos palcos brasileiros desde o fim da década de 1950, quando foi para cá trazida por Walter Pinto. Ela brilhou até sua morte, em 2016, aos 77 anos, vítima do câncer, no auge da carreira — na época, estrelava a peça “Pessoas Sublimes” com o Satyros.

Phedra foi estrela absoluta do Satyros, onde conquistou o posto de eterna diva da Praça Roosevelt — título depois de sua morte concedido à atriz e bailarina Márcia Dailyn, transexual assim como Phedra e que assumiu, com muito respeito à antecessora, o posto deixado por ela na companhia. “Phedra foi minha amiga e uma das pessoas mais importantes para mim. Todos os dias fecho os olhos e me lembro de seus conselhos”, diz Márcia que foi convidada a interpretar a amiga em “Entrevista com Phedra”. “Este é um dos maiores e mais emocionantes desafios de minha carreira”, define.

Ivam Cabral, amigo íntimo de Phedra e que cuidou de todos os detalhes de seu tratamento até o fim, se emociona ao falar da amiga e colega de companhia teatral.

“Se Phedra ainda estivesse conosco, neste sábado, em seus 80 anos, a Praça Roosevelt estaria em festa. Sinto muita, muita saudade dessa moça que foi minha filha nos últimos 15 anos de sua vida. Phedra foi uma das pessoas que mais me amou neste mundo”, diz, emocionado.

A primeira ação dos festejos começa no fim de junho, com a remontagem da peça “Transex”. A obra foi inspirada na relação do Satyros com a artista trans cubana na chegada do grupo à Praça Roosevelt — antes um lugar perigoso e violento e que o teatro transformou em efervescente point cultural paulistano, transformação urbana promovida pela arte que repercute mundialmente.

“Há poucos dias fizemos uma leitura de ‘Transex’ e foi muito emocionante. Temos sentido Phedra junto de nós. A peça vai reestrear daqui a algumas semanas”, promete Rodolfo García Vázquez, diretor e co-fundador do Satyros ao lado de Ivam Cabral.

Vázquez revela que “Transex” é uma obra que marcou a trajetória do Satyros e sua grande virada estética. Remontar a peça, para ele, “é a homenagem mais linda que poderíamos fazer para Phedra”.

No segundo semestre, será montada de forma independente e com apoio do Satyros a peça “Entrevista com Phedra”, escrita por Miguel Arcanjo Prado, colunista do UOL e jornalista que conviveu de perto com a atriz cubana em seus últimos anos de vida até sua morte. A obra, inspirada nas célebres entrevistas que realizou com a diva cubana, contará com direção do ator e diretor argentino Juan Manuel Tellategui, além de iluminação de Rodolfo García Vázquez e produção de Guttervil.

“Entrevista com Phedra” será estrelada pela atriz transexual Márcia Dailyn, convidada por autor e diretor para viver Phedra D. Córdoba, contracenando com o ator Raphael Garcia, integrante do Coletivo Negro e convidado a interpretar o jornalista que a entrevista em seu famoso apartamento na Praça Roosevelt, no qual vivia com o gato Primo Bianco. “Outro dia sonhei com Phedra, estamos todos sentindo sua presença bem perto, ela quer muito essa festa toda”, afirma Tellategui.

“Será um espetáculo lindo e grandioso como ela merece”, promete Márcia. Ao que Arcanjo complementa: “Phedra foi a maior diva que conheci e entrevistei. Era senhora absoluta de tudo ao seu redor e jamais duvidou de seu talento. Tanto que brilhou do começo ao fim. Estrela nata, Phedra tinha a capacidade de fazer qualquer um virar seu fã já no primeiro contato”.

A celebração dos 80 anos de Phedra D. Córdoba ainda contará com uma exposição na sede do Satyros com fotos, objetos pessoais, figurinos, entrevistas e vídeos da artista no palco. Vázquez adianta que os festejos de Phedra vão se emendar com outra dupla efeméride do Satyros: em 2019, o grupo completa 30 anos de vida e 20 anos de chegada à Praça Roosevelt, que nunca mais foi a mesma após seu efervescente teatro de vanguarda do qual Phedra D. Córdoba foi e é o maior símbolo.

Veja Phedra D. Córdoba na versão original da peça “Transex” de 2004:

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