Festival de Teatro de Curitiba conquista 215 mil pessoas em 2,2 mil sessões

Público de 215 mil pessoas: plateia lotada do tradicional Teatro Guaíra na abertura do 27º Festival de Curitiba 2018 – Foto: Annelize Tozetto/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

Por Michele Marreira, em Curitiba*
Colaboração para o Blog do Arcanjo

Criado com o intuito de celebrar a arte em diferentes linguagens e plataformas, o 27º Festival de Teatro de Curitiba chega ao fim neste domingo (8) tendo alcançado público de 215 mil pessoas em mais de 2.200 apresentações culturais, o que dá uma média de 98 pessoas em cada apresentação.

Isso o mantém no posto de maior evento das artes cênicas no Brasil e um dos maiores festivais do mundo. A edição de 2018 chamou atenção pela abrangência de opções para todos os bolsos e gostos.

A atriz Joseane Berenda em cena do espetáculo gratuito de rua “As Espertezas de Arlequim”, dirigido por Roberto Innocente com destaque no 27º Festival de Curitiba – Foto: Solomon Plaza/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

Ao longo de 13 dias da tradicional maratona que acontece anualmente na capital paranaense, o público pôde montar sua própria programação nos mais de 430 espetáculos, sendo 80 deles gratuitos entre Mostra Oficial e o Fringe, a mostra paralela livre de curadoria e aberta a todos os artistas que queiram manifestar sua arte democraticamente.

As 2.200 apresentações incluíram peças de teatro, dança, música, literatura, debates, oficinas, palestras, gastronomia e artes plásticas. Espectadores tiveram a oportunidade de conhecer de perto seus artistas preferidos sendo famosos e anônimos – nacionais e internacionais -, integrantes de grandes ou pequenas companhias teatrais vindos de diversas cidades brasileiras.

Leandro Knopfholz, idealizador do Festival de Teatro de Curitiba, que fechou 27ª edição com público de 215 mil pessoas – Foto: Annelize Tozetto/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

Segundo Leandro Knopfholz, diretor e idealizador do Festival de Teatro de Curitiba, os centros das grandes cidades sempre terão as maiores estruturas para receber tais atividades artísticas, entretanto, ele ressalta: “Conseguimos encontrar espaço nas regiões mais periféricas e afastadas, 90 locais diferentes em Curitiba”, comemora em entrevista ao Blog do Arcanjo no UOL.

Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi levaram a peça “Os Guardas do Taj” para encerrar o 27º Festival de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

Ele diz que a realização só é possível porque patrocinadores e artistas preservam uma importante parceria com os organizadores e destaca qual o segredo dessa longevidade: “Somos um dos poucos eventos pujantes com tanta vivência. Outros festivais infelizmente acabaram, embora não seja nossa intenção competir com ninguém. Tenho 45 anos, mas não carrego esse saudosismo, procuro olhar para frente. Tudo começou em 1992, foi sucesso nos demais anos, e o festival acabou se tornando uma atividade profissional”, fala, antes de definir qual é seu maior legado.

O ator Benone Lopes, em cena de “Carne”, da Cia. A Solta, de Cuiabá, um dos destaques do 27º Festival de Curitiba – Foto: Humberto Araujo/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

“O maior legado do Festival de Teatro de Curitiba são as pessoas que estão no entorno. Tenho orgulho da minha sócia, Fabíula [Passini], de sua organização. Fico feliz pelo reconhecimento do evento que reflete nas pessoas satisfeitas”, diz.

Letícia Spiller em “Punho Fechado” ao lado de Maureen Miranda no 27º Festival de Curitiba – Foto: Humberto Araujo/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

Com curadoria de Marcio Abreu e Guilherme Weber, os principais nomes do teatro brasileiro e conhecidos da TV pelo grande público passaram por Curitiba nos últimos dias.

Gente como Renata Sorrah, Malvino Salvador, Cláudio Fontana, Mel Lisboa, Leticia Spiller, Denise Stoklos, Caio Blat, Luisa Arraes, Leonardo Miggiorin, Reynaldo Guanecchini, Ricardo Tozzi, Denise Fraga, Lázaro Ramos, Kiko Mascarenhas, Tuca Andrada. Todos ressaltaram a importância de estarem com seus espetáculos na cidade a alegria em estar na programação do evento.

Alvo de polêmica, os artistas Maikon K, Elisabete Finger, Wagner Schwartaz e Renata Carvalho estiveram juntos em “Domínio Público” no 27º Festival de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

Destaques da edição

Nesta edição teve de tudo um pouco. Desde manifestos de atores com embasamento político, visto por exemplo no espetáculo “Mulher de Autodefesa Intelectual”, com direito a protesto na plateia, até resposta à sociedade em forma de arte por meio do famoso quadro “Mona Lisa”, do pintor renascentista Leonardo Da Vinci, na peça-palestra “Domínio Público”, que reuniu artistas alvo de polêmicas logo nos primeiros dias.

A atriz Cintia Fer consola um espectador emocionando durante a peça “Eu em Ti – Retratos”, que homenageou a trans Dandara, que foi assassinada em Fortaleza, em sessão no 27º Festival de Curitiba – Foto: Nilton Russo/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

A emoção ficou por conta de montagens como “Eu em Ti – Retratos” que relembrou em cena o brutal assassinato da travesti cearense Dandara dos Santos e “O Jornal – The Rolling Stone”, peça com direção de Lázaro Ramos e Kiko Mascarenhas discutindo a questão do preconceito racial, retratando a luta diária dos homossexuais na África.

Lázaro Ramos e Kiko Mascarenhas, diretores de “O Jornal – The Rolling Stone” no 27º Festival de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

As peças “Boca de Ouro”, “Preto”, “Grandes Sertão: Veredas”, “Os Guardas do Taj”, e a “Visita da Velha Senhora” tiveram ingressos esgotados antes mesmo do início do Festival de Curitiba. O coletivo “El, Camino” trouxe uma proposta diferente, que misturou teatro, literatura, poesia e muita música em suas performances com Letícia Spiller como integrante da trupe desconstruída.

A atriz Grace Passô conversa com o público após o espetáculo “Preto”, dirigido pelo curador do evento Macio Abreu, no 27º Festival de Curitiba – Foto: Lina Sumizono/Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

De olho em 2019

Visionário e sem perder tempo, Knopfholz e sua equipe já traçam os primeiros detalhes para a próxima edição.

“Fazemos sempre em março para contemplar o aniversário da cidade. Só temos certeza de que tamanho estamos a partir de 23 de dezembro. Enquanto isso, nós montamos uma programação em paralelo, verificando os detalhes, contando que aquilo vai acontecer, mas sem ter certeza absoluta. Temos férias coletivas dos fornecedores na segunda semana de janeiro e no meio de fevereiro vem o Carnaval”, explica.

Ganhador do Prêmio Shell de Teatro, o ator Caio Blat apresentou “Grande Sertão: Veredas” no 27º Festival de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

Apoio ao DRT de artista

Knopfholz deixa evidente a posição da organização sobre a discussão da obrigatoriedade do registro profissional na área artística.

“As produções que desejarem vir ao Fringe estarão aqui desde que sejam espetáculos profissionais. Inclusive somos a favor da necessidade do registro profissional. Desde o segundo ano, exigimos que 80% dos envolvidos tenham o DRT”, finaliza, apoiando a recente luta dos artistas em prol da manutenção do registro profissional de artistas e contra a proposta que pretende extingui-lo e que será votada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no próximo dia 26.

As potentes atrizes Patricia Cipriano (de preto) e Patricia Saravy (de vermelho) em cena da elogiada peça “Cabaret Macchina”, da Selvática, sob direção de Ricardo Nolasco, no 27º Festival de Curitiba – Foto: Humberto Araujo/Divulgação – Blog do Arcanjo/UOL

*Enviada especial, a jornalista Michele Marreira viajou a convite do Festival de Curitiba.

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