Zé Celso implora ajuda da Justiça contra Silvio Santos

Zé Celso faz ato diante da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco da USP para implorar ajuda da Justiça ao Teat(r)o Oficina contra as torres de Silvio Santos – Foto: Jennifer Glass/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O diretor Zé Celso e os atores do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona fizeram um ato na noite desta terça (31) na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da USP, no centro de São Paulo, da qual Zé é ex-aluno. O objetivo foi implorar ajuda aos membros da Justiça em prol da preservação do Oficina, ameaçado pela construção de torres no terreno ao lado, pertencente ao Grupo Silvio Santos e já autorizadas pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

No evento, que contou com a participação do ator Renato Borghi, da cantora Juliana Perdigão, do ator Pascoal da Conceição e do vereador Eduardo Suplicy, Zé Celso discursou defendendo a cultura brasileira, da qual seu teatro é grande expoente.

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Ele lembrou que o Oficina foi eleito o mais belo teatro do mundo pelo jornal inglês The Guardian e afirmou que sua arquitetura tombada, criação de Lina Bo Bardi e Edson Elito, está sob ameaça, caso as torres propostas por Silvio Santos sejam realmente construídas.

Entenda a disputa entre Zé Celso e Silvio Santos

O Oficina luta há anos para que o terreno em seu entorno seja tombado, alegando que prédios tirariam a visão da grande janela do teatro projetado por Lina Bo Bardi e Edson Elito, que dá para o bairro do Bixiga e a cidade de São Paulo, com os quais as peças do grupo dirigido por Zé Celso dialogam.

Segundo o Oficina, com a construção de torres no terreno ao lado, o teatro histórico ficará “encaixotado”. O grupo propõe que o teatro no seu entorno se torne um parque público, com teatro ao ar livre.

Silvio Santos não aceita trocar o terreno, o que seria intermediado pela Prefeitura, nem transformá-lo em parque, alegando que o terreno é dele e faz com ele o que desejar, no caso, construir prédios gigantes ao lado do teatro. Houve uma reunião na Prefeitura, intermediada pelo prefeito João Doria, entre Silvio Santos e Zé Celso, mas não houve acordo. A colunista Mônica Bergamo, da Folha, divulgou o vídeo do encontro no último domingo.

Zé Celso clama por ajuda da Justiça ao Oficina – Foto: Jennifer Glass/Divulgação

O ator Renato Borghi discursa ao lado de Zé Celso – Foto: Jennifer Glass/Divulgação

O diretor e dramaturgo, à frente do Oficina por quase 60 anos ininterruptos, reforçou o movimento #ficaoficina, que já tem apoio de diversos artistas e membros da sociedade nas redes sociais.

“O bairro do Bixiga, umbigo cultural de São Paulo, berço dos teatros e da cultura popular da cidade, enfrenta uma grande a onda de gentrificação, privatização e destruição do seu patrimônio histórico cultural, que representa 1/3 dos bens tombados na capital paulista”, lembrou o artista, que também defendeu a universidade pública e a liberdade de pensamento.

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Zé Celso entra no auditório da Faculdade de Direito sob aplausos – Foto: Jennifer Glass/Divulgação

O vereador Eduardo Suplicy também tomou a palavra em defesa do Oficina – Foto: Jennifer Glass/Divulgação

A cantora Juliana Perdigão acompanhou os discursos da plateia do auditório da Faculdade de Direito da USP – Foto: Jennifer Glass/Divulgação

Zé Celso defendeu o Teat(r)o Oficina e implorou que a Justiça vete as torres propostas pelo Grupo Silvio Santos no terreno ao lado do teatro – Foto: Jennifer Glass/Divulgação

Artistas do Oficina participaram do ato – Foto: Jennifer Glass/Divulgação

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