Índios pedem morte em carta e inspiram peça “Se Eu Fosse Iracema”

Adassa Martins está indicada ao Prêmio Shell de melhor atriz - Foto: Imatra

Adassa Martins está indicada ao Prêmio Shell de melhor atriz – Foto: Imatra

Por Miguel Arcanjo Prado

Uma dramática carta escrita pelos índios guarani kaiowá em 2012 despertou o interesse do diretor de teatro Fernando Nicolau para a condição indígena no país. No texto, os índios pediam que sua morte fosse decretada, em vez de tirarem sua terra. Sensibilizado, o artista convidou o dramaturgo Fernando Marques e a atriz Adassa Martins para mergulharem numa densa pesquisa.

O resultado pode ser conferido no monólogo “Se Eu Fosse Iracema”, que, depois de duas temporadas no Rio com sucesso de público e de crítica, estreia em São Paulo no dia 13 de janeiro, sexta-feira, às 21h30, no Sesc Ipiranga. A montagem concorre ao Prêmio Shell carioca em duas categorias (melhor atriz e figurino) e também ao Prêmio Cesgranrio (melhor figurino).

“Se Eu Fosse Iracema” propõe um olhar sobre o universo indígena brasileiro, transitando entre a tradição e a sua situação atual. Para a atriz Adassa Martins a montagem examina a questão da possibilidade de convivência das diferenças, além de ser um privilégio levar ao palco um projeto que fale exclusivamente dos índios.

“Quase nunca o teatro aborda essa questão e, apesar de ser uma montagem do olhar do homem branco sobre os índios, recebemos muitos relatos positivos de pessoas ligadas à causa indígena. Várias etnias presentes no Rio de Janeiro viram a montagem”, conta ao Blog do Arcanjo do UOL.

Adassa Martins está sozinha em cena em "Se Eu Fosse Iracema" - Foto: Imatra

Adassa Martins está sozinha em cena em “Se Eu Fosse Iracema” – Foto: Imatra

Sozinha em cena, Adassa conta apenas com um elemento cênico no palco e que representa a natureza e a ação devastadora do homem. O figurino usa materiais como látex e borracha para falar da miscigenação do povo brasileiro sem fazer um retrato carnavalesco da cultura indígena.

A dramaturgia une mitos e ritos de passagem, não necessariamente de forma linear. “Escolhemos trabalhar o ciclo da vida: a origem do mundo, a infância, a adolescência, a fase adulta na figura da mulher e o ancião, na figura do pajé chegando ao fim do mundo”, explica a atriz.

Para dar voz a alguns personagens, Adassa desenvolveu uma interlíngua: “ouvi os pajés e diversos índios falando em documentários e percebi os fonemas mais presentes; a ideia é criar uma fusão do português com uma língua indígena”.

Sobre estar concorrendo ao Prêmio Shell de melhor atriz, Adassa revela que é o primeiro grande reconhecimento de seu trabalho. “A peça me toca profundamente e é uma honra enorme ser indicada ao prêmio ao lado de atrizes sensacionais do teatro carioca”, pontua.

Após a temporada paulistana, “Se Eu Fosse Iracema” deve ir a Belo Horizonte e Porto Alegre, além de circular por outras cidades do Rio de Janeiro.

“Se Eu Fosse Iracema”
Quando: 13 de janeiro a 12 de fevereiro de 2017. Sexta-feira às 21h30, sábado às 19h30 e domingo às 18h30. 60 min.
Onde: Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga. Telefone – (11) 3340-2000.
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Ingressos vendidos a partir de 3 de janeiro no site www.sescsp.org.br
Classificação etária: 16 anos

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