“Todos devem ser e amar quem quiser”, diz Marcelo Medici, trans em musical

Marcelo Medici é cientista que se traveste em "Rocky Horror Show" - Foto: Divulgação

Marcelo Medici é cientista que se traveste em “Rocky Horror Show” – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Estreou neste fim de semana, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, o musical “Rocky Horror Show”. A produção chega aos palcos após declarações polêmicas de seu diretor Claudio Botelho, em outubro deste ano, quando este disse: “Gente, esse tipo de coisa [referindo-se a transexuais] está se propagando porque os pais não batem mais nos filhos. Falta surra”.

Após a repercussão negativa de suas frases, Botelho tratou de defender-se em nota, dizendo que a fala preconceituosa e violenta foi dita “em tom de brincadeira”.

Brincadeira ou não, é de chamar a atenção que a transexualidade seja pano de fundo da peça de Botelho. O principal personagem de seu novo espetáculo, em parceria com Charles Möeller, é justamente um homem que não se prende a um só gênero, se travestindo e experimentando o sexo de forma livre, o Doutor Frank N’Furter, interpretado pelo ator Marcelo Medici.

Medici dá sua opinião sobre qual seria o gênero do personagem criado por Richard O’Brien na peça que estreou na cena underground londrina em 1973 inspirada em filmes B, com a história de um casal heterossexual que descobre, quase sem querer, novas possibilidades de prazer em um sombrio castelo na beira da estrada.

“Existe uma diferença entre identidade de gênero e expressão de gênero. O personagem Dr. Frank N’Furter é do gênero masculino. Ele se expressa com roupas e aparência do que é lido pela sociedade como sexo oposto, mas isso não significa que ele se enxergue como alguém do gênero feminino”, fala o ator Blog do Arcanjo do UOL.

Medici com o elenco do musical "Rocky Horror Show" - Foto: Divulgação

Marcelo Medici posa com o elenco do musical “Rocky Horror Show” – Foto: Divulgação

Para Medici, é “importante essa distinção para não reduzir a transexualidade a ‘vestir roupas de mulher'”. E segue na definição do protagonista.

“Ele é um cientista alienígena do planeta Transexual, da galáxia Transilvania, e sua definição é tão clara pelo autor, que mesmo quando interpretado por mulheres ou trans, como no caso da atriz Laverne Cox [cuja interpretação na TV norte-americana foi o estopim dos comentários polêmicos de Claudio Botelho], continua sendo o Doutor Frank”, declara Medici.

O ator ainda aponta a personalidade do cientista: “Ele é autoritário, narcisista, egocêntrico, extremamente sexual, com doses de crueldade e humor”.

E prossegue: “Com tudo isso, a mensagem mais bonita e importante desse personagem é que todos devem ser e amar quem quiser. Acredito que a contribuição nesse sentido é extremamente bem-vinda nos dias de hoje”, conclui Medici.

O elenco de “Rocky Horror Show” ainda conta com os atores Bruna Guerin, Felipe de Carolis, Gottsha, Thiago Machado, Jana Amorim, Nicola Lama, Marcel Octavio, Felipe Mafra, Vanessa Costa e Thiago Garça.

“Rocky Horror Show”
Quando: Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h. 120 min. Até 11/12/2016
Onde: Teatro Porto Seguro – Al. Barão de Piracicaba, 740, Campos Elíseos, São Paulo, tel. 11 3223-2090
Quanto: R$ 50 a R$ 120
Classificação etária: 12 anos

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