Morto há 20 anos, Renato Russo começou no teatro, revela biógrafo

Renato Russo (1960-1996): grande poeta do rock nacional - Foto: Divulgação

Renato Russo (1960-1996): grande poeta do rock nacional morreu há 20 anos – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

Vinte anos após a morte de Renato Russo com apenas 36 anos, vítima de complicações decorrentes da Aids, o jornalista e escritor Carlos Marcelo, autor da biografia do músico “Renato Russo – O Filho da Revolução” (Ed. Planeta), lança nova edição da obra, com direito a capítulo novo e outras novidades.

Ele participa, nesta quarta (19) do projeto Sempre um Papo, na sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, em Belo Horizonte (av. Afonso Pena, 1537), a partir das 19h30, com entrada gratuita. No evento, promete debater com os leitores e fãs do líder da Legião Urbana detalhes da vida do autor de “Geração Coca-Cola” e “Há Tempos” que colheu em mais de cem entrevistas que lhe permitiram narrar a história do adolescente de Brasília Renato Manfredini Junior, que se transformou no líder daquela que é considerada por muitos a maior banda do rock brasileiro.

Carlos Marcelo conversou com o Blog do Arcanjo do UOL com exclusividade. Entre outras coisas, revelou que a primeira vez que Renato Russo subiu em um palco não foi para cantar, mas, sim, atuar em uma peça de teatro. Leia o bate-papo.

Carlos Marcelo, biógrafo de Renato Russo: roqueiro começou no teatro - Foto: Divulgação

Carlos Marcelo, biógrafo de Renato Russo: roqueiro começou no teatro – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – O que tem de novidade nesta nova versão de seu livro?
Carlos Marcelo – Acho que a principal novidade é um capítulo inédito, que reconstitui os últimos anos de vida do Renato. Para isso, realizei novas pesquisas e novas entrevistas, com músicos que trabalharam com o cantor em seus projetos individuais e nos últimos discos da Legião. Outras novidades são a inclusão de um índice remissivo, de um novo caderno colorido de fotos e também de muitas notas que contextualizam e atualizam o conteúdo lançado em 2009.

Miguel Arcanjo Prado – O que o Renato Russo estaria achando do Brasil de hoje?
Carlos Marcelo – Acho que estaria profundamente decepcionado pelo fato de muitas de suas letras não terem ficado anacrônicas, em especial a de “Perfeição”, que enumera as mazelas brasileiras, que infelizmente se acentuaram ao longo dos anos.

Miguel Arcanjo Prado – Qual a característica mais marcante do Renato Russo para você?
Carlos Marcelo – Duas características me chamam atenção: a convicção e a intensidade.

Capa da nova edição do livro: um capítulo inédito e fotos coloridas do ídolo - Foto: Divulgação

Capa da nova edição do livro: um capítulo inédito e fotos coloridas do ídolo – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Qual a sua opinião sobre o livro recém lançado pela Cia. das Letras, “The 42nd St. Band – Romance de uma Banda Imaginária”, com textos que Renato escreveu na adolescência?
Carlos Marcelo – Ainda não tive tempo de ler com atenção, mas minha primeira impressão é que se trata de um documento valioso para compreensão da imensa imaginação de Renato, tão vasta quanto o seu conhecimento, enciclopédico, da engrenagem do rock and roll. E que ele aplicou parte deste conhecimento para a formação da Legião Urbana. O fato de o livro possuir, em anexo, uma peça de teatro mostra que o interesse do cantor pelas artes cênicas era muito forte, tanto que, como narro no meu livro, a primeira vez que ele pisa no palco foi para atuar em uma peça (em inglês, de Tom Stoppard [dramaturgo inglês], com um grupo de colegas da Cultura Inglesa, em Brasília), não para apresentar um número musical. Ou seja, muito antes do surgimento da Legião e de assumir o nome artístico Renato Russo, o adolescente Renato Manfredini Junior já era atraído pela performance.

Miguel Arcanjo Prado – Vinte anos após a morte de Renato Russo, em sua opinião, surgiu alguém à altura dele na música? Quem?
Carlos Marcelo – Não consigo enxergar nenhum cantor ou compositor tão influente quanto Renato Russo. Acho que ele, como Raul Seixas, aumenta os seus fãs ao longo das décadas. Mesmo quem não gosta de Legião reconhece as músicas quando tocam no rádio. De uma forma ou outra, a obra do Renato é incontornável.

Renato Russo em show da Legião Urbana: performático - Foto: Divulgação

Renato Russo em show da Legião Urbana: performático – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Por que as letras de Renato Russo são tão marcantes em sua opinião?
Carlos Marcelo – Pelo tom simultaneamente incisivo e poético, metafórico e coloquial, pelo uso alternado (às vezes na mesma canção) da primeira e terceira pessoa… Mas, acima de tudo, pela convicção do autor. Como ele mesmo cantava, “é sangue mesmo, não é mertiolate”.

Miguel Arcanjo Prado – Quais fatores foram fundamentais para que Renato tivesse tanto sucesso?
Carlos Marcelo – O estabelecimento de uma ligação direta com os fãs, o conhecimento que o Renato possuía da capacidade do rock de arrebatar multidões, a química estabelecida com os outros integrantes da banda, o cuidado extremo na condução da carreira da Legião que impediu que a imagem do grupo fosse desgastada com a superexposição, enfim, diversos fatores que, somados, criaram uma condição única na música brasileira.

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