“Chica da Silva – O Musical” quer empoderar mulher negra

Vilma Melo como Chica da Silva no musical carioca - Foto: Janderson Pires

Vilma Melo como Chica da Silva no musical carioca: mulher negra no poder – Foto: Janderson Pires

Por Miguel Arcanjo Prado

A fascinante história de Chica da Silva (1732-1796) acaba de virar o espetáculo “Chica da Silva – O Musical”, no Rio de Janeiro, onde está em cartaz no Centro Cultural dos Correios a preço popular até o fim deste mês. A escrava que tornou-se a mulher mais poderosa do Arraial do Tijuco, atual Diamantina, em Minas Gerais, no século 18, agora conversa com a geração das mulheres negras empoderadas do século 21.

O enredo que marcou o Brasil colonial já virou, 40 anos atrás, o filme de sucesso “Xica da Silva”, em 1976, dirigido por Cacá Diegues e com Zezé Motta como protagonista — a atriz é a grande homenageada nesta encenação musical. Em 1988, foi a vez do diretor Antunes Filho adaptar a história para os palcos, na peça que teve o mesmo nome que o filme. Em 1996, a novela homônima na extinta Manchete, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Walter Avancini, lançou a atriz Taís Araújo ao estrelato.

Agora é a vez de Vilma Melo encarar esta importante personagem histórica, sob direção de Gilberto Gawronski. “Por um lado, é muito prazeroso interpretar uma personagem que já está no imaginário dos brasileiros, que é um ícone em termos de atitude feminina; por outro é um desafio desconstruir este mito e criar esse paralelo com essas questões das mulheres contemporâneas que ainda sofrem muito no dia a dia”, diz ela ao Blog do Arcanjo do UOL.

Cena de "Chica da Silva - O Musical" - Foto: Renato Krueger

Cena de “Chica da Silva – O Musical”, em cartaz no Rio de Janeiro – Foto: Renato Krueger

Alexandre Lino, produtor e idealizador do projeto, lembra que seu parceiro de trabalho Daniel Porto fez extensa pesquisa histórica. “Depois, a Renata Mizrahi, autora do texto, fez um paralelo entre este ícone brasileiro e as batalhas das mulheres negras contemporâneas”, revela.

Assim, a Chica da Silva de ontem conversa com a mulher negra de hoje. “Apesar dos inúmeros avanços que conquistamos desde o século 18, essas mulheres ainda encontram muita opressão tanto nos ambientes profissionais quanto em suas relações afetivas”, lembra Lino.

A equipe da obra tem Alexandre Elias na direção musical, que investiu em uma percussão onipresente e, claro, na canção “Xica da Silva”, de Jorge Ben Jor, sob execução da banda formada por Di Lutgardes, Reginaldo Vargas, Victor Durante e Tássio Ramos. Karlla de Luca assina cenário e figurino inspirados nos orixás do candomblé. No elenco, ainda estão Ana Paula Black, Antônio Carlos Feio, Luciana Victor e Tom Pires.

A dramaturga Renata Mizrahi reforça que o estereótipo exageradamente sensualizado de Chica da Silva não é repetido no musical. “A peça distancia Chica da Silva daquela mulher devoradora de homens, a qual muitas vezes é associada, e a próxima da mulher negra do século 21, que ainda tem de lidar com injúrias raciais em sua vida cotidiana e, muitas vezes, precisa se ‘embranquecer’ para ser aceita”, afirma.

O diretor tem discurso afinado com a autora. “Não me interessa uma investigação sobre a vida pessoal de Chica da Silva, mas uma dramaturgia que explore os temas de libertação, negritude e cultura brasileira, que é o que nós vamos fazer”, conclui Gawronski.

“Chica da Silva – O Musical”
Quando: Quinta a domingo, 19h. 80 min. Até 30/10/2016
Onde: Centro Cultural dos Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio, tel. 21 2253-1580
Quanto: R$ 20 inteira e R$ 10 meia-entrada
Classificação etária: 16 anos

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